No Grande Recife, há seis espécies de tubarão, mas somente o tubarão-tigre e o tubarão-cabeça-chata estão relacionadas a incidentes — o primeiro mordeu a jovem de 19 anos na segunda-feira e o segundo, o menino de 11 anos, no domingo.
"O tubarão-tigre é migratório, frequenta áreas continentais e oceânicas. Se exterminar aqui, a população vai se manter e aumentar em outras áreas, porque eles migram constantemente. Já o cabeça-chata é mais residente, fica em águas rasas. Mas são predadores de topo. Se você os elimina, acaba eliminando as presas, porque elas vão se proliferar tanto que não vai ter alimento para se manterem. Isso vai prejudicar a pesca, o turismo e o equilíbrio marinho", explicou.
Infográfico: as espécies de tubarão mais comuns no litoral de Pernambuco
Arte/g1
Ainda segundo Danise Alves, a alternativa mais plausível para a ciência é a educação ambiental, a pesquisa e o monitoramento — que foi interrompido em 2015 e que deve ser retomado em junho pelo governo do estado, que lançou um edital no começo do ano para investimento nos estudos.
"Os pesquisadores vão começar a capturar os animais, inserir chips e soltar. No mar, vão implantar redes acústicas em locais onde há incidentes. Quando os tubarões passam perto, o chip se conecta ao dispositivo e armazena a posição geográfica daquele tubarão. Os pesquisadores vão entender melhor a dinâmica, se ficam aqui, se migram", explicou.
Um dos responsáveis pelo monitoramento é o professor Paulo Oliveira, do departamento de Engenharia de Pesca da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Ele também conversou com o g1 e reiterou que monitoramento e educação ambiental são o melhor caminho.
"Exterminar uma determinada espécie nunca foi solução para nada. O tubarão ele não é um inseto, como o mosquito da dengue, e não é um animal exótico que está alterando o meio ambiente. Muito pelo contrário. Essa questão dos incidentes pode inclusive estar relacionada à alteração do meio que ele vive e a maneira como ele está respondendo", disse.
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