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‘No RS, existe um vento com nome indígena que é praticamente uma entidade’: cantora explica origem do minuano, fenômeno típico do estado

Cantora gaúcha viraliza ao mostrar que a identidade do RS tem raízes indígenas
Uma série de vídeos sobre o bioma pampa está viralizando nas redes sociais. O episódio mais recente, sobre o vento minuano, chamou atenção dos internautas ao revelar a origem indígena do nome.
A autora é Lara Rossato, cantora gaúcha formada em Biologia que mora na zona rural de Dom Pedrito, e usa o alcance nas redes sociais para estimular a preservação do bioma. "No Rio Grande do Sul, existe um vento com nome indígena que é praticamente uma entidade. E quem conhece, respeita", diz Lara na abertura do vídeo.
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No episódio, ela explica que o minuano tem origem polar, vem do sul e do sudoeste da América do Sul e costuma chegar após a passagem de frentes frias.
"Às vezes, o céu tá azul, o sol tá bonito e tu não para de tremer", descreve.
A cantora também contextualiza quem foram os Minuanos: um povo indígena que habitava o sul e o sudoeste do atual Rio Grande do Sul e áreas do Uruguai, conhecido pela resistência física e pela adaptação aos campos abertos.
Para Lara, o vento que leva o nome desse povo deixou de ser apenas um fenômeno climático, mas virou símbolo cultural.
"Muita gente não sabia de onde saiu [a palavra] minuano. Eles conheciam o vento, mas não sabiam do povo indígena minuano", disse a cantora em entrevista ao g1.
A série
"Saberes do Pampa" já tem quatro episódios. O primeiro explicou o que é o pampa; o segundo abordou o conceito de gaúcho; o terceiro focou no gato-palheiro, animal ameaçado de extinção que vive no bioma; e o quarto, sobre o minuano, foi o que mais repercutiu.
Todos tiveram uma recepção maior do que o esperado, segundo Lara. Ela afirma já ter recebido relatos de seguidores que mudaram a percepção sobre o bioma e a cultura gaúcha a partir dos vídeos.
"Eu sinto que existe demanda para isso. As pessoas se sentem representadas. Eu acredito que só o que a gente ama, a gente cuida. A partir daí, fazendo vídeos sobre o pampa gaúcho, eu acho que as pessoas vão começar a respeitar e preservar mais", disse.
Bióloga, Lara nunca atuou profissionalmente na área. Quando cursava a faculdade, o objetivo era trabalhar com preservação do pampa, interesse que retoma agora pelos vídeos.
Ela também contesta a visão de que o bioma seria um espaço vazio. "Por trás desse imenso deserto verde se esconde uma baita de uma biodiversidade linda", afirmou.
A série pretende aprofundar a relação entre a cultura gaúcha e os povos indígenas.
"O pampa moldou toda a cultura gaúcha. Começou pelos indígenas e isso depois se formou a cultura de todo um povo", disse.
Ela planeja abordar, em episódios futuros, palavras indígenas presentes no vocabulário gaúcho cotidiano e apresentar povos como os Kaingang e os Charrua como parte da cultura viva, não apenas como referência histórica.
"Eu quero que as pessoas olhem para esses indígenas vivos hoje, entendam eles como parte da nossa gente, e não como algo à parte ou algo muito no passado que formou o gaúcho", afirmou.
Cantora gaúcha viraliza ao mostrar que a identidade do RS tem raízes indígenas mais profundas do que parece
Reprodução/Redes sociais
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