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Operador financeiro negociava comissões milionárias em aportes do Rioprevidência no Banco Master, diz PF

De acordo com a PF, Ricardo Gordo manteve o mesmo modo de atuação mesmo após deixar a prisão. Ele próprio teria revelado, em delação, que sua função era articular investidores em esquemas de captação de recursos de fundos de previdência.
Segundo os investigadores, era exatamente o que ele fazia, articulando para o Rioprevidência investir no Banco Master.
A PF o descreve como um criminoso contumaz, com histórico recorrente de atuação na captação de recursos de regimes previdenciários, com uso de interlocução com gestores e oferta de vantagens indevidas, ou seja, propina.

Em conversas obtidas pela PF no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, Ricardo afirma em áudio: “O que me interessa é a captação. É trazer o dinheiro. Como eu faço para trazer o dinheiro? É problema meu”. Vorcaro responde: “Fechado, irmão, confio em você”.
Banco Master
Reprodução/TV Globo
Em outro diálogo, de outubro de 2023, ele parabeniza Vorcaro pelo credenciamento do Banco Master pelo Rioprevidência, que permitia investimentos do fundo no banco. O banqueiro pergunta sobre o volume de recursos e recebe a resposta: “Consigo deixar aprovado R$ 500 milhões”.
Em outra mensagem, ele afirma: “Lá tem um dono e esse dono precisa autorizar os caras internamente, Daniel”. Vorcaro responde: "Entendido".

Segundo a investigação, os aportes efetivamente ocorreram nos meses seguintes. Entre novembro de 2023 e fevereiro de 2024, o Rioprevidência fez quatro aplicações em letras financeiras do Banco Master, ultrapassando R$ 500 milhões. Até julho de 2024, o total chegou a R$ 970 milhões.
A partir de dezembro de 2024, o fundo passou a investir também em fundos administrados pelo banco, como o Arena (R$ 1,3 bilhão), Revolution (R$ 480 milhões), Texas I (R$ 150 milhões) e Horizonte I (R$ 10 milhões), somando mais de R$ 2 bilhões.
Cláudio Castro é alvo de buscas da PF em operação contra aportes no Banco Master pelo Rioprevidência
Segundo a PF, ao menos R$ 41,9 milhões foram repassados pelo Banco Master a Ricardo Siqueira pela captação de recursos de fundos de previdência, incluindo o Rioprevidência.
Em uma das conversas investigadas, os dois tratam do pagamento de comissão. Vorcaro pergunta o nome da empresa para emissão de nota, e Ricardo responde: “Mídias Promotora”, citando valor de R$ 7 milhões.
Formalmente, a empresa está no nome de Gilson Bahia Vasconcelos, apontado pela PF como possível laranja. Ele teria recebido cinco parcelas do auxílio emergencial. A casa de Gilson fica em uma rua numa área dominada pelo crime organizado. Ele responde por estelionato e organização criminosa.
Para os investigadores, não há dúvidas de que o verdadeiro responsável pela empresa é Ricardo Gordo.
A PF agora tenta identificar quem seria o “outro dono” mencionado nas conversas, ao qual Ricardo se referia ao afirmar que o Rioprevidência “tem um dono”.
O que dizem os envolvidos O Rioprevidência disse que em dezembro de 2025 resgatou R$ 1,4 bilhão de um fundo gerido pelo Banco Master e que segue adotando todas as medidas administrativas e judiciais cabíveis para a recuperação de recursos aportados em outros fundos relacionados ao Master.
O RJ2 tentou contato com Ricardo Siqueira, Gilson Vasconcelos e a empresa Mídias Promotora, mas não teve retorno.
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