Servidor acusa secretária da Sesp de obrigar a usar camisa e ir à convenção de governador
Um servidor da Secretaria de Segurança Pública de Roraima (Sesp) denunciou que funcionários da pasta foram obrigados a usar camisa amarela e a participar da convenção partidária do governador interino e candidato ao governo na eleição suplementar, Soldado Sampaio (Republicanos).
A orientação, segundo ele que preferiu não se identificar por medo de perseguição, foi dada pela secretária da pasta, a delegada Eliane Gonçalves. Ela foi nomeada para a pasta por Sampaio, um dia após ele assumir o governo.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp A convenção ocorreu em 17 de maio, no Centro de Tradições Gaúchas (CTG) Nova Querência, no bairro Aeroporto, em Boa Vista.
Em nota, a Secretaria de Comunicação Social (Secom) do governo informou que a secretária de Segurança "não expediu qualquer determinação institucional para participação de servidores em evento político-partidário, tampouco condicionou presença, manifestação pública de apoio ou compartilhamento de imagens a qualquer atividade funcional". Leia a íntegra da nota mais abaixo.
O g1 também procurou a secretária e o governador sobre o assunto, mas não recebeu resposta até a última atualização.
Secretária da SESP, Eliane Gonçalves, e Soldado Sampaio, governador interino de Roraima.
Reprodução/Instagram
O servidor afirmou em denúncia à Rede Amazônica que a convocação para o evento foi feita durante uma reunião em 14 de maio, no prédio da secretaria. O encontro, segundo ele, deveria apresentar a nova secretária aos servidores, o que não ocorreu.
"Todo mundo se sentiu constrangido e obrigado a ir para esse evento", afirmou o servidor.
Ainda segundo o relato, Eliane disse na ocasião que esperava todos os servidores na convenção. Ele afirmou ainda que percebeu um clima de intimidação durante a reunião, com preocupação sobre gravações.
"No dia da reunião, na verdade não houve a real apresentação da secretária. Ela simplesmente chegou na frente de todos os servidores, pediu para um policial observar quem estava gravando ou filmando e só falou: 'olha, aqui todo mundo é [da] Segurança Pública, né? Então, vocês já estão sabendo do evento no domingo', e [disse] que esperava todo mundo lá", contou.
Comunicação em grupo oficial de WhatsApp
Servidor denuncia que funcionários da Sesp foram obrigados a usar camisa e ir à convenção política em Boa Vista (RR).
Reprodução
Após a reunião, uma servidora ligada à secretária enviou um comunicado sobre a convenção em um grupo oficial de WhatsApp da pasta, usado para avisos internos. Cerca de 4h depois, a chefe de gabinete da secretária enviou o mesmo comunicado.
Na sequência, Eliane afirmou que estava no Palácio, disse que conversou com a equipe e sugeriu o uso de camisa amarela no domingo, dia da convenção, que representaria o candidato. Na mensagem, também afirma que é proibido o uso de carros oficiais. A cor amarela tem sido usada na campanha de Sampaio.
Segundo a denúncia, no dia do evento os servidores foram orientados a “prestar contas” com o envio de fotos que comprovassem a presença na convenção. As imagens foram enviadas no grupo de mensagens oficial.
"Os servidores comissionados ficam nessa insegurança. Se não for, podem perder o emprego. Então, todos foram obrigados. Ali havia um recado muito bem dado. Se não fosse, ainda mais que tinha que prestar contas, provar que foi, todo mundo se sentiu constrangido e obrigado a ir para esse evento" afirmou.
Conduta por gerar processo
Condutas como a da secretária, caso seja comprovada relação com o impedimento da liberdade eleitoral, podem configurar assédio eleitoral e resultar em processo. Sampaio era presidente da Assembleia Legislativa e assumiu o governo após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassar o mandato do então governador Edilson Damião (União Brasil) e determinar a realização de um novo pleito.
Nota do governo
A Secretaria de Comunicação Social esclarece que, conforme apuração, o grupo de WhatsApp mencionado na reportagem não é um canal oficial de comunicação institucional da Secretaria de Segurança Pública, não integra os meios formais de comunicação da Pasta e não foi criado pela atual gestão.
Trata-se de um grupo criado por iniciativa de servidores, com participação voluntária de integrantes da instituição, sem vinculação administrativa ou caráter oficial.
A Secretaria informa ainda que, a secretária de Estado da Segurança Pública, delegada Eliane Gonçalves, não expediu qualquer determinação institucional para participação de servidores em evento político-partidário, tampouco condicionou presença, manifestação pública de apoio ou compartilhamento de imagens a qualquer atividade funcional.
Em relação ao ofício citado, o documento teve finalidade exclusivamente administrativa e destinou-se à convocação de diretores, chefes de divisão e responsáveis por departamentos para reunião de apresentação e alinhamento da nova gestão da Pasta, sem qualquer relação com atividades de natureza eleitoral ou partidária.
Por fim, a Secom reafirma que não houve orientação oficial para participação em convenções partidárias e que eventual manifestação política de servidores ocorre no âmbito individual, observados os limites e garantias previstos na legislação vigente.
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