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Fim da escala 6×1 é aprovado na Câmara em votação com cantoria e bate-boca

Miriam Leitão: Tendência é o fim da escala 6X1
A votação na Câmara dos Deputados da proposta de emenda à Constituição (PEC) que permite o fim da escala 6X1 nesta quarta-feira (27) foi marcada por cantorias e disputa de narrativas.
O texto foi aprovado em plenário em dois turnos e reduz de 44 horas para 40 horas por semana a jornada de trabalho em até 14 meses. Agora, a proposta segue para análise do Senado.

Parlamentares da base governistas puxaram gritos de “olê olê olá, Lula, Lula” e cantaram o refrão da música “Para não dizer que não falei das flores” do cantor Geraldo Vandré.
O deputado Pastor Sargento Isidório (Avante-BA), por sua vez, chamou a atenção dos presentes ao afirmar que o fim da escala 6×1 daria mais tempo aos trabalhadores para fazerem sexo.
“A escala 5 por 2, além de melhorar a vida das famílias, vai permitir que os trabalhadores e as trabalhadoras tenham tempo inclusive para ter mais filhos e, portanto, fazer sexo em paz e com mais tranquilidade”, afirmou o deputado.
Deputados debatem PEC do fim da escala 6×1
Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Bate-boca
Durante a votação no plenário, o deputado André Fernandes (PL-CE) fez uma fala direcionada à deputada Erika Hilton (Psol-SP).

Ele afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria “humilhado” a parlamentar ao adotar uma manobra regimental que impediu a votação de um destaque apresentado pelo PL.

O destaque previa a redução da escala de trabalho de 5×2 para 4×3, nos termos da PEC proposta pela deputada.
“O deputado Paulo Pimenta, em nome do PT, junto com todo o governo, colocou uma emenda aglutinativa para prejudicar o nosso destaque de preferência, que colocaria em votação a PEC de Erika Hilton, que ela propôs. Ou seja, para votar o 4×3. Está bem caladinha, está pianinha. Humilhada pelo Lula, pelo PT, pelo Psol, pelo PCdoB, pelo governo”, disse Fernandes na tribuna.
A deputada rebateu a fala e afirmou que o destaque apresentado pelo PL não passava de uma tentativa de atrapalhar a votação do fim da escala 6×1. Ela também mencionou vídeos antigos publicados pelo deputado nas redes sociais.
“Se hoje nós estamos votando 5×2 é porque eles [oposição] obstruíram e impediram a votação do 4×3. Aí levaram uma lambada da classe trabalhadora, uma lambada das forças sindicais, uma lambada da sociedade e agora estão fazendo esse teatro, esse papelão, essa farsa. Humilhante é se tornar deputado ensinando na internet a fazer depilação íntima. Isso que é humilhante”, disse a deputada.
Diante do avanço do texto relatado pelo deputado Leo Prates (Republicanos-BA), o PL passou a liderar um movimento para colocar em votação a redução da escala de trabalho para 4×3, com três dias de folga por semana.
Como mostrou o g1, diante do destaque apresentado pelo PL, o líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), apresentou uma “emenda aglutinativa” com conteúdo idêntico ao do relator, mas com ajustes apenas de redação — por exemplo, texto substituindo “60 dias” por “dois meses” e “12 meses” por “um ano”.

Na prática, foi esse o texto aprovado pelos deputados, o que acabou prejudicando o destaque do PL, que fazia referência à versão relatada por Leo Prates.
Na véspera da votação, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) defendeu, em vídeo publicado nas redes sociais, a aprovação da jornada 4×3 com o argumento de que eventuais impactos negativos na economia seriam sentidos antes das eleições.
“Ou seja, a gente não vai apoiar porque concorda com essa medida populista irresponsável, não. É porque a gente quer mostrar que, quando der merda, a culpa é deles”, afirmou.
Câmara aprova fim da escala 6×1
Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Ironia
No plenário, apesar de votar a favor do texto, Nikolas reforçou essa posição.
“Quando houver demissão em massa, quando aumentar o preço dos produtos, quando o empreendedor não conseguir mais e tiver que demitir uma pessoa para contratar outra, aí, meus amigos, esse dia vai ser maravilhoso. Porque vocês queriam colocar algo e fugir da consequência, mas não. Quando acontecer, eu estarei pronto para dizer que o responsável por isso são vocês, que literalmente querem enganar as pessoas”, declarou.
Antes da votação, enquanto Nikolas concedia entrevista, a deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) interrompeu a fala segurando um frasco de óleo de peroba — em referência à expressão “cara de pau” — para criticar a posição do parlamentar em relação à proposta do 4×3.
“O eleitorado entende com imagem. Talvez didaticamente seja isso que estou fazendo. É óleo de peroba para quem está contra o trabalhador e agora tentou apresentar uma emenda [da 4×3]. Apresenta uma carteira de trabalho, Nikolas Ferreira, assinada na escala 6×1”, disse.
As tensões já vinham desde a votação do texto na comissão especial, antes de a PEC seguir para análise no plenário.
Apesar de defenderem a votação do 4×3 por meio de destaque, deputados da oposição também assinaram uma emenda que propunha alterar o período de transição da medida, ampliando de 14 meses para dez anos.
Confrontado pela deputada Erika Hilton (Psol-SP), o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), negou que o partido tivesse assinado a emenda e chamou a parlamentar de mentirosa.
“Vou desmentir essa mentirosa que acabou de falar. Ela mentiu, não vai cortar minha palavra, eu vou provar que ela está mentindo [.] Quem assinou esta emenda foi o PP do Rio Grande do Sul, e a deputada aqui sabe muito bem quem foi. Então, não minta ao povo brasileiro. Nós, do PL, somos a favor do trabalhador”, afirmou.
Na sequência, a deputada Fernanda Melchionna (Psol-RS) apresentou a lista de signatários da emenda, confrontou Sóstenes e afirmou que o parlamentar constava entre os que haviam assinado.
“Ele diz que não assinou, mas está aqui: o Sóstenes assinou. Aqui, Sóstenes. Assinou, olha que pena”, disse Melchionna.

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