Morre Gabriel Ganley, fisiculturista e influenciador, aos 22 anos
O falecimento de mais um fisiculturista levanta, novamente, discussões sobre qual o limite saudável da prática desse esporte e como o uso de anabolizantes pode levar o corpo ao colapso.
Neste fim de semana, o atleta Gabriel Ganley, de 22 anos, foi encontrado morto. De acordo com o atestado de óbito, a cardiomiopatia hipertrófica foi a causa do falecimento.
➡️A doença, caracterizada pelo espessamento anormal do músculo do coração, pode ser genética ou adquirida ao longo da vida, inclusive pelo uso de anabolizantes.
Nas redes sociais, Ganley havia relatado que usava insulina, considerada um tipo de anabolizante. Semanas antes, ele passou mal em um episódio de hipoglicemia, após aplicar o hormônio em um dia de alimentação restrita.
O caso ganhou repercussão pela forte presença do atleta nas redes sociais e por se tratar de um fisiculturista muito novo, em ascensão, mas não é um fato isolado.
Nos últimos meses, o g1 noticiou diversas mortes de praticantes dessa modalidade. Em alguns casos, o uso de anabolizantes levou a complicações. Em outros, o falecimento aconteceu por conta de problemas cardíacos.
De acordo com os especialistas, a prática pode ser realizada de maneira saudável e não necessariamente leva a consequências prejudiciais para o corpo.
Mas também é fato que o fisiculturismo é um dos exercícios que mais exige do organismo e coloca o corpo à prova.
Campeonato de fisiculturismo.
Reprodução/TV Globo
"Para chegar a um físico de competição, o atleta passa por fases de treino intenso, cuidados alimentares gigantesco e, muitas vezes, pouca recuperação", analisa o endocrinologista e médico do esporte, Clayton Macedo.
O médico, que também é diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), pontua que o treinamento excessivo altera a produção hormonal, principalmente do cortisol, hormônios sexuais e tireoidianos – quadro que pode ser muito agravado pelo uso de esteroides anabolizantes.
👉Em resumo, os especialistas explicam que:
O fisiculturismo pode ser realizado de forma saudável se for uma prática acompanhada por profissionais, evitar o uso de substâncias proibidas e focar no equilíbrio.
O uso de anabolizantes e práticas como desidratação e corte de sódio são os principais responsáveis por levar a morte de atletas dessa modalidade.
Os riscos para aqueles que não praticam de maneira responsável vão desde quedas de pressão até trombose e morte súbita.
Na reportagem abaixo, você entende melhor cada um desses pontos.
Febre do fisiculturismo: homens e mulheres encaram sacrifícios e riscos à saúde na busca por um corpo superforte e esculpido
Cuidados para a prática saudável
Tendo como objetivo a evolução e definição muscular de maneira simétrica, o fisiculturismo costuma exigir ações extremas para atingir o corpo desejado.
Nesse processo, os três pilares principais – e que devem ser feitos de maneira equilibrada para que a modalidade seja saudável – são:
🏋🏻♂️Treino
Precisa ser estruturado, com fases de ganho de massa e fases de definição muscular.
Átila Alexandre, professor da Escola de Educação Física e Esporte da USP de Ribeirão Preto, explica que o treino é o estressante que vai gerar o desenvolvimento muscular.
Mas, para que isso aconteça, é necessário que o músculo se recupere desse pequeno processo inflamatório. Outra prática muito comum na modalidade e que também podem trazer riscos é o corte de água e sal antes das competições. A ideia é parecer mais "seco" no palco.
⚠️Mas, uma vez que o corpo depende do equilíbrio de água e sais minerais para o bom funcionamento do coração e dos músculos, isso pode causar problemas como arritmia, desmaios, queda de pressão e, em casos mais graves, trombose, problemas renais e até morte súbita.
Disciplina e controle dos riscos
Ainda que possa ser feito de maneira saudável, os médicos ponderam que os riscos são reais para todo o organismo, tendem a ser imprevisíveis e podem ser fatais.
"O fisiculturismo exige doses impressionantes de disciplina e controle do corpo, mas precisa ser praticado com ciência e responsabilidade", comenta Clayton.
Além de equilibrar treino, alimentação e descanso, evitar substâncias químicas e estratégias radicais com o objetivo de acelerar processos dentro da prática é fundamental para que, a longo prazo, a modalidade seja sustentável.





