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Da operação militar à captura de Raúl Castro: o que os EUA podem estar preparando contra Cuba

O estado da Flórida, por exemplo, fica a menos de 300 quilômetros da ilha.

Além disso, os americanos mantêm a base militar de Guantánamo em território cubano.
A presença de um porta-aviões na região também facilitaria um ataque aéreo.
Uma das possibilidades seria lançar uma operação para capturar Raúl Castro e até mesmo o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel. Ambos poderiam ser levados para os Estados Unidos e permanecerem presos, assim como aconteceu com Maduro.
O procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche, disse na quarta-feira (20) que Castro vai comparecer aos EUA para responder às acusações “por vontade própria ou de outra forma”.
Mudança de governo
Raúl Castro em 1º de maio de 2025 em Havana, Cuba
Norlys Perez / Reuters
Em entrevista à GloboNews, Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV), afirmou que há sinais de que uma operação militar contra Cuba está se aproximando. O que falta, segundo ele, é uma visão clara sobre o que virá depois.
Na avaliação do professor, um dos fatores que dificultam uma operação é a falta de uma liderança cubana que os Estados Unidos considerem capaz de negociar uma transição política, como aconteceu na Venezuela.
Após a captura de Maduro, Trump conseguiu construir uma relação com a presidente interina Delcy Rodríguez.
A medida resultou na manutenção de um governo alinhado aos interesses dos Estados Unidos sem que houvesse uma mudança de regime na prática.
“O ideal do ponto de vista de Washington seria encontrar uma pessoa capaz de substituir a atual liderança política, o presidente Díaz-Canel, e transformar Cuba em um país alinhado aos Estados Unidos, facilitando também acordos econômicos, comerciais e investimentos americanos”, afirma.
🔎 Stuenkel afirma que existe a expectativa de que uma operação militar contra Cuba possa ser apresentada ao eleitorado americano como uma grande conquista política.
A questão cubana historicamente mobiliza setores da política dos EUA, principalmente entre exilados cubanos e grupos conservadores — alinhados a Trump.
Segundo o professor, na visão da Casa Branca, uma ação contra Cuba poderia ser bem recebida por parte do eleitorado, assim como aconteceu na ofensiva contra a Venezuela.
A operação também poderia ter uma avaliação diferente da ofensiva lançada pelos EUA contra o Irã, que é vista como um fracasso pelo eleitorado.
“Mas tudo dependerá do que acontecer depois de uma eventual atuação militar. Uma coisa é fragilizar um país. Outra é estabilizá-lo da forma esperada.”
Intervencionismo
Donald Trump após retornar da China, em 15 de maio de 2026
ALEX WROBLEWSKI / AFP
Do ponto de vista jurídico, uma eventual ação militar contra Cuba também geraria questionamentos internacionais. Ações recentes dos EUA na Venezuela e no Irã também levantaram debates.
Uriã Fancelli, mestre em relações internacionais pelas universidades de Estrasburgo e Groningen, afirma que a Carta da ONU permite o uso da força apenas em casos de legítima defesa diante de um ataque armado ou com autorização do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Segundo ele, acusações envolvendo autoritarismo, violações de direitos humanos ou relações com China e Rússia não seriam, por si só, justificativas legais suficientes para uma intervenção militar.
🔎 O professor afirma ainda que, se o uso da força em determinada situação for considerado ilegal pelo direito internacional, ameaçar usar força militar nesse mesmo contexto também pode ser entendido como ilegal.
“Os Estados Unidos podem sancionar Cuba, denunciar violações e pressionar diplomaticamente. Mas isso não significa necessariamente que possam ficar fazendo ameaças de agir militarmente”, afirma.
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