Falsa gerente forjou boletim de ocorrência para enganar empresária em Barretos, SP
A empresária Franciele Gomes, que perdeu cerca de R$ 140 mil na semana passada após cair em um golpe em Barretos (SP), disse que os criminosos chegaram a forjar um boletim de ocorrência eletrônico durante a ação para convencê-la da legitimidade do caso.
Segundo ela, nas duas horas que conversou pelo celular com a falsa gerente de um banco, a mulher disse que a empresária tinha perdido dinheiro para golpistas, a ajudaria a registrar a ocorrência por meio da internet, e ainda enviou o documento, contendo 12 números.
Franciele contou que, ao receber a chamada da mulher, o número da falsa gerente estava salvo nos contatos pessoais dela, o que, segundo a vítima, demonstra que a quadrilha conseguiu invadir o telefone e alterar dados salvos nele.
Durante a conversa, a falsa gerente disse que Franciele precisava fazer transferências via Pix nos mesmos valores que haviam sido agendados pelos invasores, sob a falsa promessa de que o sistema bancário identificaria a duplicidade, bloquearia a transação e devolveria o dinheiro.
"Ela foi me conduzindo, me falou do investimento, do cartão. Eram notícias que ela me dava e que eu ia entrar para reverter e fazer. Então, na hora que ela ia me falando, eu não conseguia ver, porque meus aplicativos estavam todos bloqueados."
Ao g1, a empresária disse que se sente envergonhada, mas usa a própria história para alertar outras pessoas.
"É muito difícil passar por uma situação como essa. Faz dez anos que estou juntando esse caixa e perdi tudo. A gente se sente envergonhada, passada para trás. Muitas pessoas julgam, mas acredito que elas podem ficar alertas com a minha história".
A empresária Franciele Gomes foi vítima de golpe pelo celular em Barretos, SP
Reprodução/EPTV
Tela do celular foi espelhada durante golpe
Segundo Franciele, durante a ligação, os golpistas não apenas visualizavam a tela do celular dela, mas conseguiram assumir o controle remoto do aparelho. Ainda segundo ela, eles alteraram os limites da conta, simularam compras em lojas virtuais e tentaram resgatar aplicações financeiras.
"Meus limites estavam todos alterados, estava em R$ 250 mil, sendo que nem tenho esse dinheiro. Ele foi me falando das supostas compras, e disse 'vi aqui que você tem uma aplicação de R$ 111 mil que tentaram resgatar, mas o banco pediu 48 horas de prazo'. Ele estava tendo acesso às coisas."
A ação só foi interrompida quando uma amiga, que estava ao lado de Franciele, desconfiou da situação e fez a empresária ligar para o verdadeiro gerente da conta, que a orientou a desligar o telefone e procurar a polícia.
Ao chegar à agência bancária, a vítima foi informada de que o aparelho precisava ser formatado com urgência para derrubar o acesso dos golpistas.
Segundo Franciele, do valor total transferido pelos golpistas, R$ 115 mil não poderão ser recuperados, porque foram transações via Pix feitas por ela mesma, ainda que sob a orientação da falsa gerente.
A vítima disse acreditar que conseguirá revertes o restante do valor, retirado da conta bancária dela por meio de empréstimos e uso do cartão de crédito pelos golpistas.
Empresária de Barretos, SP, mostra limite da conta zerada após invasão de golpistas ao celular dela
Reprodução/EPTV
Como identificar e evitar o golpe
Para evitar cair nesse tipo de armadilha, a principal recomendação da Polícia Civil é não clicar em links suspeitos recebidos por SMS ou WhatsApp, e jamais fazer chamadas de voz ou vídeo com pessoas se passando por representantes de instituições financeiras.
Segundo Gambi, os bancos não entram em contato com os clientes para solicitar cancelamentos de transações desta forma e, em muitos casos, criminosos se aproveitam do abalo emocional das vítimas.
"No momento de nervosismo, a vítima não reflete sobre o que está fazendo, e o golpista cria um senso de urgência, para cortar o tempo e induzi-la ao erro".
Outro ponto de atenção é o envio de documentos: se alguém mandar uma cópia de boletim de ocorrência oferecendo ajuda para resolver um problema financeiro, trata-se de um golpe. Nem a polícia, nem as agências bancárias adotam essa prática, ainda segundo o delegado.
Em casos de registros feitos pela Delegacia Eletrônica, o sistema gera um número de protocolo que pode ser consultado na página oficial da Polícia Civil de São Paulo. Em todas as vezes, após a finalização da ocorrência, a cópia verdadeira é enviada ao e-mail informado no cadastro.
Ainda assim, o delegado orienta que a melhor saída contra a dúvida sempre é buscar o atendimento presencial.





