Acreana descobre síndrome rara após 15 anos com dores e passa por cirurgia
A servidora do Corpo de Bombeiros do Acre, Clícia Damasceno Jucá Gomes, de 45 anos, passou cerca de 15 anos convivendo com dores intensas na região pélvica até descobrir que sofria da Síndrome de May-Thurner, uma doença vascular rara que causa a compressão da veia na região das pernas.
Moradora de Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, Clícia contou ao g1 que os primeiros sintomas surgiram ainda em 2009, com dores ao tocar na barriga. À época, exames apontaram apenas ovários policísticos e ela foi tratada com o uso de antibióticos.
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“Eu sentia muitas dores na pelve e sempre ia ao ginecologista. As vezes eu perguntava se era normal o que eu sentia pois nesse período eu tive vários diagnósticos, entre eles endometriose e um cisto no ovário. Acho que de tanto persistir, fui encontrando o caminho das pedras”, relatou.
Embora teve o diagnóstico tardio, atualmente a servidora faz acompanhamento devido à síndrome e afirmou que tem uma nova vida. A mulher mora com o esposo e as três filhas e relatou que vai uma vez por a Rio Branco, distante mais de 630 quilômetros, para fazer tratamento.
Clícia Damasceno Jucá Gomes, de 45 anos, passou cerca de 15 anos convivendo com Síndrome de May-Thurner
Arquivo pessoal
Superar a dor
Apesar de ter superado a dor, nem sempre foi assim. Em 2019, ela retirou um cisto no ovário, que são bolsas pequenas que se formam dentro do órgão e geralmente não apresentam riscos à saúde da mulher. Contudo, Clícia disse que no seu caso, mesmo após o procedimento, as dores continuaram.
Somente em 2023, após fazer novos exames, foi identificado um quadro de varizes pélvicas. O diagnóstico, no entanto, ainda não explicava totalmente os sintomas. “Eu pedia a Deus que me mostrasse a cura, porque percebia que tinha algo errado comigo”, disse.
Em um dos exames de raio-X, é possível ver, de forma clara, a presença de varizes de grosso calibre, associadas à compressão na veia ilíaca. Com a condição, a mulher tinha o fluxo sanguíneo comprometido, o que favorecia a dilatação anormal das veias.
Devido ao acúmulo de sangue, as veias de Clícia tinha uma dilatação anormal
Arquivo pessoal
Ainda conforme a servidora, ao procurar tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), descobriu que o procedimento necessário não estava disponível no rol de atendimentos oferecidos pela rede pública. Ela entrou na Justiça e conseguiu autorização para dar continuidade ao tratamento.
Diagnóstico
Foi durante o tratamento médico, em janeiro do ano passado, que recebeu o diagnóstico definitivo de Síndrome de May-Thurner, que pode resultar desde varizes até a trombose venosa profunda, condição que pode levar a morte.
Entre os sintomas relatados por ela estavam inchaço abdominal, dores menstruais intensas, peso e cansaço nas pernas, dor lombar crônica e vontade frequente de urinar. O procedimento minimamente invasivo conseguiu desobstruir vasos sanguíneos e melhorar a circulação da servidora.
"O médico me advertiu a procurar tratamento, à época fui para Rio Branco e a equipe médica me disse que o implante de um stent [pequeno tubo de malha metálica implantado em artérias ou canais estreitados para restaurar o fluxo sanguíneo] resolveria meu problema e assim se fez", declarou.
Clícia alerta para a dificuldade no diagnóstico da doença e reforça a importância de procurar um cirurgião vascular em casos de sintomas persistentes. “Sentir peso nas pernas não é normal. Essa é uma doença silenciosa, progressiva e que pode levar até à embolia pulmonar”, afirmou.
Síndrome de May-Thurner
🔎A síndrome atinge homens e mulheres de 20 a 50 anos. O diagnóstico é feito por meio de exames e o cirurgião alerta para que os pessoas se atentem aos sintomas. No caso de Clícia, a compressão foi corrigida e o sangue voltou a circular normalmente. Visto que a dor sentida teve um ponto final.
“A compressão causa lesões no endotélio, o revestimento interno da veia, causando estreitamento e levando à formação de trombos e ao surgimento de varizes pélvicas, devido ao acúmulo de sangue nesta área", explicou o cirurgião Augusto da Silva.
A condição compromete a circulação da perna, agravando o quadro de varizes, inchaço e, em casos mais avançados, culminando na trombose venosa profunda. "O diagnóstico é feito durante exame clínico. O médico confirma por meio de ultrassonografia, tomografia ou ressonância magnética", disse.
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