Prints de mensagens enviadas por suspeito de perseguição à jovem com pior dor do mundo – Bambuí
Carolina Arruda/Arquivo pessoal
Carolina Arruda, jovem que convive com neuralgia do trigêmeo — condição neurológica conhecida por causar dores intensas e chamada por especialistas de “a pior dor do mundo” — registrou um boletim de ocorrência após denunciar perseguição virtual, ameaças e crimes contra a honra nas redes sociais.
Segundo a Polícia Civil de Bambuí, no Centro-Oeste de Minas Gerais, Carolina afirmou ser alvo de comentários maliciosos, perfis falsos e divulgação de informações pessoais e íntimas na internet.
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No boletim de ocorrência, Carolina relatou que um seguidor publicou comentários maliciosos nas redes sociais com o objetivo de difamar sua imagem. Segundo o registro, as publicações podem configurar crimes contra a honra, como calúnia, difamação e injúria, além de perseguição virtual.
A vítima apresentou prints das publicações com informações como nome de usuário, datas, horários, perfil utilizado e comentários feitos pelo suspeito. No entanto, nas imagens às quais o g1 teve acesso, o nome do usuário não aparece.
Segundo o boletim de ocorrência, Carolina bloqueou o usuário inicialmente. Mesmo assim, ela afirmou que o homem passou a usar perfis falsos para continuar a perseguição.
Ainda segundo o relato, Carolina passou a receber ameaças após expor a situação publicamente nas redes sociais. A denúncia aponta que, em uma das mensagens, o suspeito divulgou informações pessoais e íntimas da vítima, o que aumentou a sensação de insegurança.
No boletim de ocorrência, Carolina informou que pretende representar criminalmente contra o suspeito.
O documento também informa que a mãe do suspeito entrou em contato com uma seguidora da ONG fundada por Carolina Arruda, que orienta pacientes sobre neuralgia do trigêmeo. Segundo o relato, ela afirmou que o filho tem problemas psiquiátricos, é dependente químico e queria ter acesso à medicação usada pela vítima.
O caso foi registrado na 24ª Delegacia da Polícia Civil de Bambuí e segue sob investigação.
Relação de obsessão e monitoramento
Segundo os prints apresentados por Carolina Arruda, a perseguição teria começado a partir de um comportamento de obsessão e monitoramento constante nas redes sociais. Nas mensagens, o homem afirmou que acompanha a jovem há mais de dois anos e que ela “faz parte da rotina” dele, mesmo sem contato direto.
O homem também relatou desconforto ao tentar se aproximar de Carolina e demonstrou fixação na relação dela com um médico responsável pelo tratamento da neuralgia do trigêmeo.
Em outro trecho das conversas, o homem admitiu que alternava entre admiração e ataques contra Carolina. Segundo as mensagens, ele afirmou que já a defendeu nas redes sociais, mas também passou a agir como “hater”, chegando a expô-la publicamente na internet.
Depois, segundo a própria mensagem, ele voltava a apoiá-la e a citá-la como exemplo, demonstrando comportamento instável em relação à vítima.
Os prints também mostram que o suspeito acompanhava detalhadamente a rotina, o trabalho e a atuação pública de Carolina. Nas mensagens, ele comentava sobre projetos sociais, ações de conscientização sobre neuralgia do trigêmeo, aparência física, posicionamentos pessoais e até questões íntimas da vida da jovem.
Em uma das mensagens, o homem escreveu que se considera um “seguidor fiel” de Carolina.
Ainda segundo as mensagens, o homem associou os ataques ao próprio estado emocional e psicológico. Ele afirmou que acumulava sentimentos de ódio, frustração e inveja relacionados ao tratamento médico e ao acesso de Carolina a medicamentos como a morfina.
Em um dos textos, o homem admitiu ter “jogado” essa revolta contra Carolina “sem papas na língua”, principalmente ao vê-la com acesso a medicamentos que ele também queria usar.
Os prints também mostram comentários considerados invasivos e perturbadores pela vítima.
Nas mensagens, o homem fez referências à dependência química de opioides — analgésicos potentes usados para bloquear sinais de dor no sistema nervoso central — e citou medicamentos usados no tratamento da neuralgia.
Segundo Carolina, ele também afirmou que ela estaria em uma situação sem saída, em um discurso interpretado por ela como intimidador e ameaçador.
De acordo com o boletim de ocorrência registrado pela Polícia Civil, mesmo após ser bloqueado, o suspeito teria criado perfis falsos para continuar entrando em contato e perseguindo Carolina nas redes sociais.
Rotina de Carolina
Doença com 'pior dor do mundo': Entenda
Há dois meses Carolina retornou a Bambuí para concluir a graduação em medicina veterinária no Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), que estava trancada desde 2023, quando a doença se agravou.
Carolina Arruda convive com a chamada 'pior dor do mundo', causada pela neuralgia do trigêmeo
Arquivo Pessoal Tratamentos e crises de dor
A estudante ganhou notoriedade nacional ao relatar crises severas de dor. Para o médico que acompanha Carolina, Carlos Marcelo de Barros, a retomada da rotina acadêmica pode trazer benefícios importantes ao tratamento.
“A dor crônica é um fenômeno complexo que envolve, além do estímulo físico, questões sociais e emocionais. O fato de Carolina poder retomar a rotina, concluir o curso e se preparar para o trabalho ativa áreas do cérebro que também contribuem para o tratamento e podem proporcionar melhores condições de vida”, destacou o médico.
Entenda a condição
Carolina Arruda compartilha nas redes sociais a rotina do tratamento Redes Sociais/Reprodução
Desde 2013, a estudante enfrenta a neuralgia do trigêmeo, conhecida como a 'pior dor do mundo'. A condição provoca episódios intensos e incapacitantes no rosto e a levou a recorrer a diversos tratamentos para aliviar o sofrimento.
Veja abaixo perguntas e repostas sobre o caso da jovem:
Quem é Carolina Arruda?
O que é a neuralgia do trigêmeo?
Quando começaram os sintomas?
Como era a vida dela antes do diagnóstico?
Como a doença afeta a rotina dela?
Quais tratamentos ela já fez?
Carol vai continuar em tratamento?
1. Quem é Carolina Arruda?
Carolina Arruda, de 28 anos, é natural de São Lourenço, no Sul de Minas, e mora em Bambuí, no Centro-Oeste.





