Operação prende influenciadora Deolane Bezerra e mira família de Marcola por lavagem
Marco Herbas Camacho, conhecido como Marcola, e o irmão Alejandro Camacho são alvos de uma operação do Ministério Público de São Paulo que investiga um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo uma transportadora de cargas de Presidente Venceslau (SP), controlada pelo PCC.
Ambos estão presos estão presos na Penitenciária Federal de Brasília. O g1 questionou a Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen) se eles já foram notificados, mas não houve retorno até a última atualização desta reportagem.
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Marcola é considerado o chefe do PCC e foi preso em 1999. Em janeiro de 2023, ele foi transferido para o presídio de segurança máxima na capital. O chefe da facção criminosa foi condenado a 330 anos por diversos crimes.
Já Alejandro, conhecido como Marcolinha, também é considerado um dos membros mais influentes dentro do PCC.
A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra também foi alvo da operação e foi presa na manhã desta quinta-feira (21). Ela passou as últimas semanas em Roma, na Itália. O nome dela chegou a ser incluído na lista da Difusão Vermelha da Interpol, mas ela retornou ao Brasil na quarta-feira (20).
Sobre a investigação
Operação mira influenciadora Deolane Bezerra e família de Marcola por lavagem de dinheiro do PCC
Reprodução
A investigação começou em 2019 com a apreensão pela Polícia Penal de bilhetes e manuscritos com dois presos na Penitenciária II de Presidente Venceslau. O material deu origem a três inquéritos policiai, responsáveis por revelar novas camadas da estrutura criminosa.
O primeiro inquérito teve como foco direto os dois presos que estavam com os manuscritos. A análise do material apreendido permitiu identificar referências a ordens internas da facção, contatos com integrantes de elevada posição hierárquica e menções a ações violentas contra servidores públicos. Esses dois indiciados foram condenados e inseridos no sistema penitenciário federal.
Entre os trechos analisados, chamou atenção dos investigadores a citação a uma “mulher da transportadora”, que teria levantado endereços de agentes públicos para subsidiar ataques planejados pela organização criminosa.
Essa menção deu origem ao segundo inquérito policial, que buscou identificar quem seria a mulher mencionada nos bilhetes e qual seria a relação da transportadora de cargas com o grupo criminoso.
As diligências conduziram a uma empresa sediada em Presidente Venceslau, posteriormente reconhecida como empresa de fachada usada pelo crime organizado para lavagem de dinheiro, e a uma nova operação policial.
Nesta operação, a apreensão do celular de Ciro Cesar Lemos – indicado como operador central – trouxe mais informações sobre a dinâmica de lavagem de dinheiro por meio da empresa de fachada, levantando suspeitas de repasses financeiros e conexões com uma influenciadora digital de grande projeção nacional.
A partir das análises, o inquérito apontou que Ciro Cesar Lemos atuava na compra de caminhões, realização de pagamentos, movimentava recursos da cúpula do PCC, executava ordens de Marcola e Alejandro e administrava patrimônio em nome deles.
As imagens dos depósitos que favoreciam contas de Deolane Bezerra Santos e Everton De Souza, outro alvo da operação desta quinta-feira, foram localizadas no aparelho celular apreendido na casa de Ciro César Lemos. Ele está foragido, assim como a esposa.
Segundo a investigação, os valores provenientes da empresa Lopes Lemos Transportes eram destinados a Marcola, a Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, e a seus familiares. Para as transações, foram usadas as contas de Everton de Souza e Deolane Bezerra.
A apuração ainda constatou que essa influencer possuía estreitos vínculos pessoais e de negócios com um dos gestores fantasmas da transportadora de cargas.
Os levantamentos apontaram a utilização de pessoas jurídicas, recebimentos de origem não esclarecida, circulação de valores milionários e aquisição ou vinculação a bens de alto padrão por parte de Deolane Bezerra. Para os investigadores, a projeção pública, a atividade empresarial formal e a movimentação patrimonial eram utilizadas como camadas de aparente legalidade para dificultar a identificação da origem ilícita dos recursos.
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