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Município isolado do Acre tem o 9º pior índice de qualidade de vida do país

g1 em 1 minuto – AC: Rio Branco fica em 22º entre as capitais no quesito qualidade de vida
O município de Santa Rosa do Purus, no interior do Acre, é o 9º município brasileiro com a pior qualidade de vida, conforme apontou o relatório do Índice de Progresso Social (IPS) de 2026. O estudo foi divulgado nessa quarta-feira (20) e deixou a cidade acreana atrás apenas de municípios de Roraima, Pará e do Mato Grosso do Sul.
🎯 O índice é uma métrica que calcula o acesso à qualidade de moradia, saneamento básico, saúde, educação, inclusão e meio ambiente dos municípios e estados brasileiros, gerando uma nota que vai de 0 a 100. Entenda aqui como é elaborado o indicador que capta o contraste da qualidade de vida.
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A cidade isolada, que tem acesso apenas por barco ou avião, e pouco mais de 7 mil habitantes, teve um IPS médio geral de 46,70, abaixo da média nacional, que é 63,4. Para calcular o índice, o IPS organiza os indicadores em três dimensões:
Necessidades humanas básicas: nutrição e cuidados médicos básicos, água e saneamento, moradia e segurança pessoal;
Fundamentos do bem-estar: acesso ao conhecimento básico, à informação e comunicação, saúde e bem-estar e qualidade do meio ambiente;
Oportunidades: direitos individuais, liberdades individuais de escolha, inclusão social e acesso ao ensino superior.
O municipio apresentou uma média de 54,4 no quesito Necessidades Humanas Básicas. Já nos Fundamentos do Bem-Estar, a média foi de 45,97. No pilar de Oportunidades, a cidade apresentou uma média de 39,72, em uma escala de 0 a 100.
Também aparecem entre os menores índices Feijó, com 49,2 pontos, e Marechal Thaumaturgo, com 49,8.
Santa Rosa do Purus é um dos municípios isolados do Acre, acessível apenas por barco ou avião
Foto: Neto Lucena/Secom
Urbanização falha
A cientista política e professora da Universidade Federal do Acre (Ufac) Letícia Mamed ressalta que Santa Rosa do Purus apresenta deficiência em todos os segmentos analisados pelo estudo, incluindo acesso a políticas voltadas às minorias e eficiência no atendimento e na tramitação de processos judiciais.
"Todos os municípios brasileiros com desempenho inferior tendem a reunir algumas características semelhantes: baixa densidade populacional, grande distância dos centros urbanos, dificuldades logísticas, baixa oferta de serviços públicos e menor presença do Estado", analisa.
Segundo a professora, apesar de a Amazônia ser associada à floresta e sua diversidade, a região passou por um processo de urbanização com precária cidadania, que associa carências de infraestrutura e baixo poder aquisitivo da população.
"A partir disso, também é importante frisar o essencial papel do poder público nesses contextos, em todas as suas dimensões, seja federal, estadual e municipal, uma vez que essas localidades são fundamentalmente dependentes de investimentos e reparações das agendas públicas", acrescenta.
Confira a lista dos piores índices entre os municípios do país:
Uiramutã (RR) — 42,44;
Jacareacanga (PA) — 44,32;
Alto Alegre (RR) — 44,72;
Portel (PA) — 45,42;
Amajari (RR) — 45,58;
Pacajá (PA) — 45,87;
Anapu (PA) — 45,91;
Japorã (MS) — 46,23;
Santa Rosa do Purus (AC) — 46,70;
Uruará (PA) — 46,80;
Trairão (PA) — 46,82;
Bannach (PA) — 47,23;
São Félix do Xingu (PA) — 47,38;
Recursolândia (TO) — 47,39;
Cumaru do Norte (PA) — 47,43;
Peritoró (MA) — 47,53;
Oeiras do Pará (PA) — 47,57;
Ladainha (MG) — 47,58;
Anajás (PA) — 47,62;
Paranã (TO) — 47,63.
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