Ex-aluna vê condenação de professor como recado para quem não têm medo de ser transfóbico
Stella Branco, uma das ex-alunas de medicina que há três anos moveram uma ação contra o professor Jyrson Guilherme Klamt, da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto (SP), disse na terça-feira (12) que a sentença que o condenou a três anos e dez meses de prisão por transfobia é um recado para pessoas que não têm medo de cometerem o mesmo tipo de crime no país.
O caso aconteceu em novembro de 2023, quando Stella e Louise Rodrigues contaram que foram ofendidas e ameaçadas pelo professor no refeitório do campus, às vésperas da formatura.
Na época, a faculdade havia implementado o uso livre de banheiros no prédio conforme identificação de gênero e Klamt perguntou, de forma irônica, qual deles Louise usaria.
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Ao lembrar a história nesta semana, Stella revelou ao g1 que interviu e avisou ao professor que ele não sairia impune.
"Eu disse pra ele que a sensação de impunidade que ele tinha era falsa. E que, talvez, ele pudesse ser responsabilizado por isso. Então, acho que fica aí um recado, não só para o Jyrson, mas para outras pessoas que não têm medo de serem transfóbicas no Brasil. A sensação de impunidade é falsa e, cada vez mais, que a gente possa viver a Justiça demarcando isso. Que essas pessoas possam parar de sentir uma sensação de impunidade diante de crimes que elas cometem, como, por exemplo, nos comentários das publicações e das notícias".
"Até o presente momento, não há novas informações quanto à eventual adoção de providências pela unidade. A Faculdade reafirma seu compromisso com o respeito à diversidade e à integridade de sua comunidade acadêmica".
Importância do processo e uso de banheiro
Para Louise Rodrigues, o processo não tem importância apenas não no âmbito individual, à ela e à amiga, mas muito mais no âmbito coletivo, por trazer o debate sobre o direito das pessoas trans e a saúde delas também.
"A partir do momento em que eu passo o dia inteiro segurando o meu xixi para evitar ir ao banheiro para passar por uma situação de violência, evitar passar por uma situação de constrangimento, isso traz consequências à saúde em vários âmbitos. As pessoas trans terem direito de usar o banheiro não é só uma questão de dignidade, é também uma questão de saúde pública".
Segundo o advogado Everton Reis, que representa as médicas, falar sobre o caso é trazer um panorama que sai de um processo revitimizador para reforçar a resistência.





