De acordo com o trabalhador, a água já estava atingindo a ponte no momento do acidente, que ocorreu na propriedade conhecida como "Fazenda de Dunga". "Foi quando a gente voltou para almoçar. A barragem estava cheia, aí passamos e ele ficou atrás", contou.
Ainda segundo Dinho, outro colega que estava presente pulou para tentar resgatar Marcelo, mas não conseguiu por causa da correnteza. Por saber nadar, ele retornou em segurança.
O Corpo de Bombeiros atua nas buscas da vítima. As operações de resgate na água foram interrompidas por causa da correnteza, sendo realizadas apenas por drones e por monitoramento das margens do rio.
Marcelo Francisco Silva, de 50 anos, morreu após abertura da Barragem de Carpina, na Zona da Mata Norte de Pernambuco
Reprodução/Acervo pessoal/TV Globo
Abertura de barragem
Irmã de Marcelo, Sandra Maria da Silva disse que os funcionários da fazenda não haviam recebido qualquer aviso de que a barragem seria aberta.
"Todo ano acontece de abrir a comporta, mas, dessa vez, não avisaram aos trabalhadores que estavam do outro lado trabalhando, para eles voltarem, já que a barragem ia ser aberta. Para eles poderem sair do outro lado, para não ficar [ilhados]. Não foi avisado para eles", disse.
Marcelo morava com a mãe no Sítio Chão de Santana 2, que fica na cidade de Lagoa do Carro, próximo do local do acidente. Segundo Sandra, Marcelo não sabe nadar e foi arrastado pela correnteza.
"A gente já perdeu a esperança de encontrar ele com vida. Mas quero que ache o corpo para pelo menos enterrar", disse.
Moradores de Lagoa do Carro fizeram, neste sábado (16), um protesto na PE-90, próximo às margens da Barragem de Carpina. Os manifestantes queimaram pneus e interditaram a pista, que foi liberada no fim da manhã.
O que diz o governo
Por meio de nota, o governo de Pernambuco informou que:
o Corpo de Bombeiros enviou equipes de salvamento ao local para fazer o reconhecimento da área e iniciar as buscas da vítima;
em razão do forte volume de água e da intensidade da correnteza, as operações precisaram ser temporariamente suspensas por questões de segurança, mas foram retomadas neste sábado (16);
uma unidade de salvamento faz o monitoramento às margens do rio enquanto outra equipe atua com o emprego de drone para reconhecimento da área e apoio às buscas;
as buscas submersas não são aplicáveis no momento e, diante das condições observadas no local, não houve necessidade de fechamento das comportas;
o Protocolo de Controle de Cheias – Operação Carpina foi integralmente cumprido durante o processo de abertura da comporta, incluindo a comunicação prévia aos municípios e órgãos competentes, à população, por meio de publicações em redes sociais, e à imprensa;
a Defesa Civil, ao tomar conhecimento de que a comporta seria aberta, adotou todas as medidas necessárias para garantir a ampla comunicação e orientação aos municípios localizados às margens do Rio Capibaribe;
foi encaminhado e-mail oficial com ofício aos gestores municipais, alertando sobre a situação e reforçando a necessidade de adoção das medidas preventivas cabíveis junto à população das áreas potencialmente atingidas;
as informações também foram divulgadas no grupo oficial do WhatsApp dos coordenadores municipais de Proteção e Defesa Civil.
O g1 perguntou à Secretaria de Recursos Hídricos por que a comporta não pode voltar a ser fechada para reduzir o volume de água e possibilitar as operações de resgate no Rio Capibaribe, mas, até a última atualização desta reportagem, não obteve resposta.
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