Segundo o relatório, a prefeitura pagou R$ 75,40 por um questionário com 60 perguntas aos pacientes.
No entanto, conforme o TCE, o valor de mercado do serviço é de R$ 16,39 — quatro vezes a menos do que o pago pela prefeitura.
Prefeito da época dos contratos está afastado
Prefeito de Fazenda Rio Grande, Marco Marcondes (PSD).
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Marco Marcondes, prefeito de Fazenda Rio Grande na época em que os contratos foram fechados, está afastado do cargo desde outubro de 2025. Ele e outras quatro pessoas chegaram a ser presos em uma operação que mirava fraudes e desvios de recursos públicos na saúde, mas foram soltos 15 dias depois.
Ele foi denunciado pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) por organização criminosa, contratação direta ilegal e peculato, que é desvio de dinheiro público. Marcondes é suspeito de receber propina e desviar dinheiro da saúde pública.
O caso foi encaminhado à Justiça Federal, por envolver recursos da União.
O que dizem os citados?
O g1 procurou a empresa AGP Saúde, que não respondeu às tentativas de contato.
Em nota, a Prefeitura de Fazenda Rio Grande informou que a atual gestão congelou qualquer pagamento ou alteração de contrato com a AGP Saúde. Disse que determinou uma auditoria interna para fazer o ressarcimento integral aos cofres públicos, além de apurar a conduta dos envolvidos e responsabilizá-los. Leia a íntegra do posicionamento:
"A Prefeitura de Fazenda Rio Grande esclarece que, desde a tomada de conhecimento pela atual gestão sobre as irregularidades já pontuadas no contrato com a AGP Saúde Ltda. não mediu esforços para colaborar com o Ministério Público e corrigir falhas e danos ao erário decorrentes do contrato com a empresa.
Em um primeiro momento, prontamente, por decreto municipal, congelou qualquer pagamento ou alteração de contrato com a empresa supracitada.
Determinou a abertura de auditoria interna, realizada pelo Controle Interno do Município, com a intenção de fornecer a maior quantidade possível de elementos para compor a investigação conduzida pelo MP.
Assim que finalizada a auditoria, a Comissão Especial de Tomada de Contas Municipal será designada para definir e quantificar o dano ao erário a fim de promover o ressarcimento integral. E também poder conduzir os processos administrativos para apurar a conduta dos envolvidos e responsabilizá-los.
Ainda fez a remessa integral de todo material analisado ao Ministério Público Federal no Estado do Paraná e ao Tribunal de Contas do Estado, assim como para a Câmara Municipal de Vereadores.
A Prefeitura reitera seu compromisso com a saúde pública, a ética e a correta aplicação dos recursos dos fazendenses e continua à disposição das autoridades e sociedade, sempre colaborando para elucidação dos fatos."
A defesa do prefeito afastado Marco Marcondes informou que não teve acesso ao relatório preliminar do Tribunal de Contas e nem à auditoria feita pela Prefeitura de Fazenda Rio Grande, o que impede qualquer manifestação conclusiva. Leia a íntegra do posicionamento:
"A defesa do prefeito Marco Marcondes tomou conhecimento, pela imprensa, da existência de relatório produzido pela Unidade de Controle Interno, a pedido do prefeito interino, apontando supostas irregularidades na execução contratual pela empresa AGP Saúde Ltda.
Até o momento, contudo, não foram disponibilizados à defesa os elementos, documentos, critérios técnicos e metodologia que teriam embasado as conclusões divulgadas, o que impede qualquer manifestação conclusiva sobre o conteúdo do referido relatório.
O prefeito Marco Marcondes reitera seu interesse na apuração séria, técnica e transparente de todos os contratos celebrados durante sua gestão, inclusive aqueles firmados com a empresa AGP Saúde, defendendo que eventual auditoria seja conduzida por órgão imparcial e politicamente independente, com observância ao contraditório e à ampla defesa.
É relevante observar que as conclusões atribuídas ao relatório da Prefeitura interina divergem, em aspectos importantes, de posicionamentos do Ministério Público Estadual e do Tribunal de Contas do Estado do Paraná, circunstância que reforça a necessidade de cautela, responsabilidade e análise técnica antes de qualquer juízo definitivo sobre os fatos.
Quanto ao relatório preliminar do Tribunal de Contas do Estado do Paraná, a defesa igualmente aguarda acesso integral ao seu conteúdo para verificar, com precisão, quais foram os apontamentos realizados. Sem acesso aos documentos, não é possível emitir manifestação específica ou definitiva.
Por fim, o prefeito Marco Marcondes reafirma sua disposição de colaborar com todas as investigações, prestar os esclarecimentos necessários e contribuir para que os fatos sejam apurados de forma técnica, transparente e isenta, perante as autoridades competentes."
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