Jovem que ficou cego atingido por bala de borracha no Maracanã presta depoimento
O universitário Arthur Cortines, de 18 anos, que perdeu a visão do olho direito após ser atingido por uma bala de borracha no entorno do Maracanã, na Zona Norte do Rio, após Flamengo e Vasco, prestou depoimento nesta quinta-feira (13) depois de ter alta médica no início da semana.
No relato, ele repetiu que teve ajuda negada por policiais militares e que teve que buscar socorro sozinho. Ele foi atingido durante uma confusão.
"A bala não cortou meu olho, ela explodiu meu olho. Isso me impressionou um pouco. O médico disse que foi um corte de três centímetros no olho, ele até me explicou em questão de medição o quão impressionante isso era e falou que ele não conseguiu mensurar a quantidade de pontos para fechar esses cortes de dentro do olho", explica o jovem.
De acordo com Arthur, ele se perdeu dos amigos quando a confusão começou.
De acordo com ele, policiais da cavalaria da PM atuavam para dispersar os torcedores com bombas de efeito moral e gás. Nesse momento, um dos agentes teria atirado a bala de borracha diretamente em sua direção. Arthur foi atingido no olho direito e, segundo os médicos, perdeu a visão do lado ferido.
"Eu achei uma ambulância no meio do trânsito só que só pôde fazer o curativo para estancar o sangue. Eles se negaram a me levar para o hospital porque era uma ambulância privada. Eu tive que pegar um táxi sozinho e sangrando", relata.
A Polícia Militar instaurou um procedimento para apurar as circunstâncias da ocorrência e disse que colabora com as investigações. O governo estadual disse que a Procuradoria Geral entrou em contato com a Defensoria Pública e se colocou disponível para um acordo com o rapaz.
Durante a recuperação no hospital, o universitário recebeu a visita do volante Hugo Moura. Ele conta que foi o único acolhimento recebido.





