O que esperar do encontro entre Trump e Xi Jinping na China
A segurança na histórica Praça Tiananmen, em Pequim, foi reforçada nos últimos dias, com rumores nas redes sociais sobre um desfile especial ou algum grande evento.
Os preparativos para este grande evento começaram em tom discreto, mas a China parece estar pronta para realizar um espetáculo para receber o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A visita de Estado na quinta e sexta-feira (14 e 15/5) incluirá negociações, um banquete e uma visita ao Templo do Céu, um complexo de templos imperiais onde os imperadores rezavam por boas colheitas.
E tanto Trump quanto o presidente chinês Xi Jinping esperam que a visita dê frutos. Esta cúpula entre os dois líderes mais poderosos do mundo está prevista para ser um dos encontros mais importantes em anos.
Por meses, as relações entre EUA e China foram uma prioridade menor para Trump. Seu foco tem sido a guerra em curso com o Irã, as operações militares no Hemisfério Ocidental e as preocupações domésticas.
A China certamente pressionará os EUA a desistirem de uma investigação comercial anunciada recentemente sobre práticas comerciais injustas que poderiam dar a Trump a capacidade de reimpor tarifas mais altas sobre produtos chineses.
Isso será complicado para o lado americano.
“Pode ser difícil para os EUA desistirem das investigações de todas as práticas comerciais chinesas desleais, considerando o quão disseminadas e distorcidas elas ainda são”, diz Michael O'Hanlan, do Instituto Brookings, um think tank com sede em Washington.
O governo Trump também está convidando os CEOs da Nvidia, Apple, Exxon, Boeing e outras grandes empresas para acompanhá-lo nesta visita, de acordo com a Reuters.
Embora a China não dependa mais tanto dos EUA para o comércio quanto durante o primeiro mandato de Trump como presidente, Xi vai querer que este encontro corra bem, já que a China precisa de estabilidade na economia global.
Atualmente, a China é o principal parceiro comercial de mais de 120 países, mas Xi sabe que não pode parecer confiante demais durante a visita de Trump.
“Desde que a visita prossiga sem problemas e Trump conclua que foi tratado com respeito, a calma instável no relacionamento bilateral perdurará. Se, por outro lado, Trump sair se sentindo desrespeitado ou menosprezado, ele poderá mudar de ideia”, diz Ryan Hass, do Instituto Brookings.
O futuro da IA
China anunciou uma série de tarifas sobre produtos dos EUA em retaliação ás tarifas de Trump.
Reuters
A China está em uma corrida para dominar o futuro. Ela está investindo pesadamente em IA e robôs humanoides. Isso faz parte do que Xi descreve como “novas forças produtivas” que ele espera impulsionem a economia da China.
Muitos formuladores de políticas dos EUA, no entanto, acreditam que a política oficial chinesa é cooptar ou roubar completamente a tecnologia dos EUA para promover suas indústrias domésticas. Isso levou a restrições à exportação dos microprocessadores mais recentes, por exemplo, apesar das objeções dos fabricantes americanos.
A resolução bem-sucedida para a espinhosa questão da propriedade e operação chinesas do popular aplicativo de mídia social TikTok foi um raro final feliz para as interações entre EUA e China sobre tecnologia, que frequentemente são assoladas por acusações e suspeitas.
Essa dinâmica está se manifestando na corrida para desenvolver sistemas de IA, talvez o principal novo desenvolvimento tecnológico dos tempos modernos. A questão é complicada por acusações dos EUA de que empresas chinesas como a DeepSeek estão roubando a inteligência artificial americana.
“Um capítulo inicial de uma guerra fria da IA está surgindo”, diz Yingyi Ma, do Brookings Institute.
“A Casa Branca acusou a China de roubo em 'escala industrial' de modelos americanos de IA, enquanto Pequim teria agido para impedir que a Meta adquirisse a Manus, uma startup de IA fundada na China agora com sede em Singapura. A disputa mais profunda não é sobre quem copia qual modelo, mas sobre o talento capaz de construir a próxima geração de IA de ponta.”
Os robôs da China são capazes de dar um espetáculo, fazendo movimentos de Kung Fu e correndo mais rápido do que humanos durante uma maratona em Pequim.
Mas, embora as empresas chinesas pareçam ser hábeis em construir os corpos desses robôs, muitas ainda estão trabalhando na programação do cérebro de suas novas criações. Para construir o que há de melhor, as empresas chinesas precisam de chips de computador de última geração, e eles são fabricados nos EUA.
É aqui que Pequim poderia usar sua influência sobre terras raras, um setor crítico que Trump cobiça abertamente. A China processa cerca de 90% dos minerais de terras raras do mundo, que são essenciais para toda a tecnologia moderna, de smartphones a parques eólicos, passando por motores a jato.
Assim, pode haver um acordo a ser feito. Os EUA podem ter terras raras chinesas em troca de chips de ponta. Isso é uma espécie de "Estreito de Ormuz da China" — ela pode interromper o fornecimento a qualquer momento.
Apesar de todo o terreno de políticas a ser coberto pelas duas partes, a visita de Trump será uma passagem rápida, com reuniões e eventos programados para quinta e sexta-feira.
Pode não haver muito tempo para os dois líderes chegarem a acordos profundos, mas mesmo um encontro tão breve pode definir a trajetória das negociações — e das relações — entre as duas superpotências por muitos anos.
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