Sobrinho de ex-governador tentou dar "carteirada" em policiais durante prisão por esquema
O empresário Fabrício de Souza Almeida, sobrinho do ex-governador de Roraima Antonio Denarium (Republicanos), acusado de chefiar um esquema de financiamento de garimpo ilegal de ouro na Terra Indígena Yanomami, também é citado em apurações por ligação com o contrabando de diamantes. A conexão se baseia em um episódio de 2010, quando ele e outro homem foram presos com as pedras preciosas em Rondônia.
Fabrício, uma irmã de Denarium, o marido dela e outros três investigados se tornaram réus na Justiça Federal por financiar a extração de minérios em garimpos de ouro. Eles também respondem por organização criminosa, lavagem de dinheiro e usurpação de bens da União.
Foi no decorrer da apuração desses crimes, ligados ao garimpo de ouro, que a Polícia Federal descobriu que ele havia sido preso no passado, em 2010, com diamantes.
O g1 tenta localizar a defesa de Fabrício.
Denarium informou que não tem gestão ou responsabilidade sobre atos de parentes que vivem em casa diferentes da dele.
'The diamond king (o rei do diamante)'
A investigação da PF sobre o financiamento de garimpos ilegais começou em agosto de 2020, quando Fabrício foi parado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), em Boa Vista.
Durante a abordagem, ele mentiu sobre o itinerário da viagem e disse aos agentes que era “sobrinho do governador” — à época, Denarium comandava o estado. Fabrício estava em uma caminhonete acompanhado de outro homem.
Fabrício de Souza Almeida é chamado de 'Rei do diamante' por um tio em uma publicação nas redes sociais.
Reprodução
Ao consultarem os dados dele, os agentes identificaram que Fabrício havia sido alvo, em 2010, da Operação Roosevelt, deflagrada em Rondônia para combater o contrabando de diamantes.
Na ocasião, ele foi preso junto o pai do dono de uma empresa de diamantes, investigada por contrabando de minérios. Com eles, foram apreendidos 161 quilates de diamantes e R$ 13 mil.
A PF também analisou as redes sociais de Fabrício e encontrou mensagens com referências à atividade de garimpo. Em uma publicação, Wellington, marido da tia dele, o chama de “rei do diamante” ao escrever: "feliz niver the diamond king".
Segundo a investigação, o histórico reforçou a suspeita de que a renda de Fabrício estaria ligada à extração ilegal de minérios. As inconsistências apresentadas por ele durante a abordagem em 2020 levantaram a suspeita de que poderia estar negociando minérios extraídos ilegalmente. A partir disso, a PF abriu um novo inquérito e ele de tornou réu.
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Sobrinho do governador, Fabrício de Souza Almeida
Reprodução/Facebook/Fabrício Almeida
Liderança operacional do esquema de ouro
Segundo a denúncia contra os seis investigados, à qual o g1 teve acesso, Fabrício exercia a liderança operacional do esquema de financiamento de garimpos de ouro, responsável por coordenar as ações do grupo. De acordo com o documento, ele atuava na: Articulação das atividades ilegais, sendo apontado como o principal executor das atividades ilícitas;
Compra e distribuição de materiais usados no garimpo ilegal, como máquinas e combustível;
Contratação de pessoas para atuar nas operações, incluindo pilotos de aeronaves;
Controle das transações bancárias e do fluxo financeiro do grupo.
Segundo a denúncia, o esquema funcionava de forma organizada e também explorava cassiterira, outro minério na Terra Yanomami. O grupo captava recursos por meio de empresas de fachada e pessoas usadas como “laranjas”. O dinheiro era usado para pagar pilotos, combustível e máquinas.
Depois da extração ilegal e venda do minério, os lucros eram usados para reembolsar investidores e pagar integrantes do grupo, mantendo o esquema em funcionamento.
Uma das empresas investigadas, formalmente registrada como prestadora de serviços de representação comercial, movimentou mais de R$ 11 milhões em pouco mais de três anos, "sem possuir empregados, veículos ou endereço comercial efetivo". Segundo a investigação, a empresa é de Fabrício.
Empresário Fabrício de Souza Almeida e Vanda Garcia de Almeida, sobrinho e irmã do ex-governador de Roraima, Antonio Denarium
Reprodução
Além de Fabrício e Vanda, também se tornaram réus: João Alisson de Sousa Alencar Lima, Paulo Pessoa Silva, Rafael Silva Souza e Wellington de Oliveira Castro. Somadas, as penas pelos crimes que eles respondem podem ultrapassar 20 anos de prisão.
No processo, o MPF também pediu à Justiça que todos sejam condenados a pagar indenização mínima de R$ 500 mil por danos morais coletivos causados aos indígenas do território Yanomami.
"Para esconder a origem do dinheiro, os denunciados realizavam transferências sucessivas entre as próprias contas, faziam saques fracionados em espécie e utilizavam empresas sem atividade real", informou o MPF.
Vanda e Fabrício foram alvos da operação Bal da PF em fevereiro de 2023. À época, agentes buscavam provas sobre o crime de lavagem de dinheiro oriundo de ouro ilegal.





