Otto levou estudante a ajudar a criar lei que proíbe fogos com barulho em Ribeirão Preto
Otto foi o primeiro cachorro da estudante de direito Paola Coelho Fleury, de Ribeirão Preto (SP). Ele morreu no dia 1º de janeiro, aos 4 anos, e a família suspeita que o pastor maremano tenha sofrido um infarto ao se assustar durante a queima de fogos da virada.
Depois disso, a estudante, de 19 anos, decidiu agir e apresentou uma proposta de lei para proibir fogos de artifício com estampido na cidade. A legislação foi sancionada pelo prefeito Ricardo Silva (PSD) em março deste ano e já está em vigor.
"A gente quis fazer com que outras famílias, outras pessoas não passassem por isso. Eu vi que não tinha lei municipal, só lei estadual", diz Paola.
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Para elaborar o projeto, Paola contou com a ajuda do professor de direito constitucional, Dirceu Chrysostomo, coordenador do curso na Harven Agribusiness School, onde ela estuda.
"A Paola teve esse envolvimento pessoal e ela e a família se envolveram em um processo de não só divulgação do fato, mas de tentativa de conscientização da população, do quanto essa questão dos fogos com estampidos acaba comprometendo a saúde de animais e até mesmo de pessoas com determinados transtornos."
Paola e o cão dela, Otto
Arquivo pessoal
Segundo o professor, a proposta foi encaminhada ao Executivo e rapidamente avançou, porque foi integrada em um projeto de lei que já estava em tramitação e foi inspirado em Orelha, o cão comunitário que morreu no começo do ano em Santa Catarina.
"A própria Paola encaminhou ao prefeito uma ideia de um projeto de lei. O prefeito ampliou esse projeto, houve assessoria técnica legislativa, foi encaminhado à Câmara com pedido de urgência e rapidamente transformado em lei".
Em Ribeirão Preto, a Lei Orelha e Otto institui um conjunto de normas voltadas ao bem-estar dos animais. O objetivo é prevenir e punir maus-tratos, além de ampliar ações educativas.
Entre os casos enquadrados como maus-tratos estão abandono, violência, manutenção de animais em condições inadequadas e exploração em atividades que provoquem sofrimento e participação em lutas.
Doce e carinhoso
Ao g1, Paola contou que Otto ficava nervoso quando ouvia barulhos, mas o comportamento nunca foi sinal de alerta para a família.
"Quando ele escutava barulho, ficava nervoso, latia e corria para o jardim. A gente achava que isso era algo normal para cachorro. Nunca tivemos um sinal grande de alerta".
No dia da virada, a família estava fora de Ribeirão Preto e o cachorro ficou em casa, sob os cuidados de uma funcionária.
"Ele ficou solto o dia inteiro, brincando. Por volta das 19h30, ela [a funcionária] foi dormir. No outro dia, às 6h, encontrou ele deitadinho com sinais de mal súbito, por conta de não ter aguentado a situação dos fogos com barulho. Foi uma tragédia, porque ele não tinha doença, não era velhinho. Eu planejava muitas coisas ainda com ele".
A estudante lembra de Otto com saudade e define o cachorro como doce, carinhoso e muito querido por todos.




