Justiça determina prisão preventiva de 23 PMs suspeitos de participação em chacina
O Colegiado de Juízes da 1ª Vara Criminal de Miracema do Tocantins determinou a prisão preventiva de 23 policiais militares e a aplicação de medidas cautelares. O grupo é investigado por suposto envolvimento em uma chacina que terminou com sete mortos em 2022.
Os militares investigados deverão se apresentar nesta sexta-feira (8) na sede do Comando Geral da PM, em Palmas. A medida foi negociada entre o Ministério Público Estadual (MPTO) e o comando da polícia. Depois, eles serão levados para a Delegacia Geral da Polícia Civil.
Os acontecimentos que ficaram conhecidos como Chacina de Miracema foram registrados após a morte do policial militar Anamon Rodrigues de Sousa durante um confronto em uma plantação de mandiocas, na noite de 4 de fevereiro de 2022.
Na mesma noite, Valbiano Marinho da Silva foi assassinado em casa suspeito de envolvimento com a morte do PM. Na madrugada de sábado, 5 de fevereiro de 2022, Manoel Soares da Silva e Edson Marinho da Silva, pai e irmão de Valbiano, foram assassinados dentro de uma delegacia quando 15 pessoas encapuzadas invadiram o local.
📱 Clique aqui para seguir o canal do g1 TO no WhatsApp No dia seguinte, mais três corpos foram encontrados no loteamento Jardim Buriti. As vítimas foram identificadas como Aprigio Feitosa da Luz, de 24 anos, Gabriel Alves Coelho, de 21 anos, e Pedro Henrique de Sousa Rodrigues, de 18 anos.
A Polícia Militar informou que acompanha o caso por meio da Corregedoria-Geral da PMTO, prestando o apoio institucional necessário ao cumprimento das determinações judiciais e às autoridades responsáveis pela investigação. Afirmou que não compactua com desvios de conduta e os fatos serão apurados pelos órgãos competentes (veja nota completa abaixo).
Chacina deixou sete mortos em Miracema do Tocantins
Motagem/g1
Os juízes Marcello Rodrigues de Ataídes, Renata do Nascimento e Silva e Valdemir Braga de Aquino Mendonça acolheram os pedidos de prisão preventiva para garantir a ordem pública e a conveniência da instrução criminal.
Segundo a decisão, as medidas se fundamentam na gravidade dos crimes, que envolvem execuções sumárias, tortura e fraude processual, praticados sob o pretexto de represália à morte do sargento da Polícia Militar.
A Justiça entendeu que a liberdade dos investigados representa um risco real, dada a capacidade técnica e influência para intimidar testemunhas e destruir vestígios. A outro PM, que também é investigado, foram impostas apenas as medidas cautelares, sem a decretação de prisão.
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Como foi a dinâmica dos crimes
De acordo com a decisão, a investigação da Polícia Civil revelou que os crimes ocorreram de forma coordenada entre os dias 4 e 5 de fevereiro de 2022, estruturados em quatro episódios principais.
Morte do Sargento Anamon Rodrigues de Sousa: Ocorrida durante um confronto armado em um mandiocal.
Execução de Valbiano Alves Marinho: Morto a tiros na porta de sua casa enquanto estava sob custódia informal de policiais da Agência Local de Inteligência (ALI).
Invasão da Delegacia de Polícia de Miracema: Uma ação articulada que resultou na execução de Manoel Soares da Silva e Edson Marinho da Silva (o pai e do irmão de Valbiano) dentro da unidade policial.
Mortes no Loteamento Jardins Buritis: O sequestro, tortura e execução de quatro jovens, com apenas um sobrevivente.
Uso da estrutura estatal e destruição de Provas
A decisão judicial destaca que os crimes representam uma violenta afronta ao Estado Democrático de Direito, uma vez que foram utilizados recursos públicos como viaturas oficiais, redes de comunicação e armamento do Estado para a prática de atrocidades.
Segundo a investigação, policiais teriam recolhido HDs de câmeras de segurança de um posto de combustíveis (onde ocorreu a abordagem inicial das vítimas do loteamento) e, posteriormente, alegado que os dispositivos foram furtados de uma viatura.
Além disso, houve indícios de adulteração de sistemas de rastreamento de viaturas (GPS) e desligamento estratégico de celulares para ocultar os deslocamentos dos executores.
Medidas cautelares aplicadas
Além das prisões, a decisão impôs sanções rigorosas a todos os 23 presos.
Afastamento imediato das funções públicas.
Suspensão da posse e do porte de armas de fogo (particulares ou funcionais).
Proibição de acesso a unidades policiais.
Proibição de contato com a vítima sobrevivente, familiares das vítimas e investigadores.





