Eleição e bolso: o conceito de 'affordability' que explica por que bons números da economia não garantem votos; ouça 'O Assunto'

Fonte original: G1 Política

O Brasil vive um paradoxo econômico: indicadores como crescimento do PIB, inflação controlada e menor desemprego em oito anos não têm se traduzido em sensação de melhora de vida para a população. Segundo o cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest, em entrevista ao episódio desta quinta-feira (9) do podcast “O Assunto”, a explicação passa por um conceito que ganhou força no debate político internacional: o “affordability”.
O termo, em inglês, se refere à capacidade real de uma pessoa arcar com o custo de vida. Na prática, ajuda a entender por que, mesmo com aumento de renda, muitos brasileiros sentem que o dinheiro não é suficiente.
“O que as pessoas dizem é: ‘a minha renda até aumentou, mas o custo de vida associado à minha renda aumentou muito mais'”, afirma Nunes, com base em pesquisas qualitativas conduzidas em “salas de espelho” — método que simula conversas do cotidiano para captar percepções e sentimentos dos eleitores.
Ao aprofundar as entrevistas, os pesquisadores identificaram três fatores principais que explicam a desconexão entre os números da economia e a percepção da população.
O primeiro é o endividamento. Segundo os relatos, despesas com cheque especial, cartão de crédito e empréstimos consignados têm pressionado o orçamento das famílias. “As pessoas estão tendo problemas gravíssimos com cheque especial, cartão de crédito, consignados”, diz Nunes.
Endividamento no Brasil .
Marcelo Casal Jr./Agência Brasil
O segundo fator é a frustração com o cons…

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