O governador Sérgio Cabral afirmou nesta quinta-feira, durante entrevista sobre a criação do gabinete integrado para contemplar municípios da Baixada, que a prioridade é atender imediatamente pessoas que estão passando necessidades por conta dos estragos feitos pela forte chuva que caiu no estado na madrugada e manhã desta quarta-feira. “Vamos tirar as pessoas das áreas de risco, contemplá-las com o aluguel social e atender de imediato pessoas que estejam passando necessidades. Ao mesmo tempo, vamos dragar os rios Botas, Sarapuí e Iguaçu”, disse Cabral.
O governador também afirmou que o centro integrado vai servir para formalizar as discussões sobre casos similares. “O objetivo é criar um centro de planejamento e monitorar a situação sempre. Desde 2007, já foram investidos R$ 1 bilhão para construções, urbanizações e dragagem na Baixada Fluminense. Na manhã desta sexta-feira, faremos uma reunião com o ministro da Integração Nacional, Francisco José Coelho Teixeira, no Centro Integrado de Comando e Controle (CCIC) para avaliar a situação e discutir medidas futuras”, pontuou.
Ainda segundo Cabral, as famílias desabrigadas deverão entrar nos programas Minha Casa, Minha Vida ou Compra Assistida. A Secretaria Nacional de Defesa Civil enviará R$ 4 milhões para assistência humanitária. O valor do aluguel social, por família, será de R$ 500. Além do governador, participam do encontro o vice-governador Luiz Fernando Pezão, o secretário de Estado do Ambiente do Rio, Carlos Minc, o secretário estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, Zaqueu Teixeira, o secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, entre outras autoridades.
De acordo com os últimos dados da Defesa Civil, há 227 famílias desalojadas em Mesquita, 16 em Queimados, 15 em Japeri e 400 em Nova Iguaçu. Em Japeri, 18 bairros foram atingidos e 17.771 pessoas foram afetadas pelas chuvas.
Baixada foi castigada durante temporal
A Baixada Fluminense foi bastante castigada pelo temporal durante a madrugada e a manhã desta quarta-feira. Nova Iguaçu, a cidade mais atingida em toda a Região Metropolitana, decretou estado de calamidade pública.Segundo o prefeito Nelson Bornier, cerca de 2 mil moradores foram obrigados a deixar suas casas.

Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia
Ao todo três pessoas morreram no Estado. Um homem foi levado pela correnteza de um rio em Belford Roxo e não resistiu. Seu corpo foi encontrado pelos bombeiros. Ele foi identificado como Neilson Viana Monteiro, de 18 anos. O pedreiro Martinho da Silva, de 50 anos, morreu após cair em um rio, em Nova Iguaçu. Na madrugada desta quinta, um homem morreu e um adolescente está desaparecido após uma ponte ser arrastada pela força da água na RJ-230, em Bom Jesus de Itabapoana, no Norte Fluminense.
Mais de 120 militares do Grupamento de Busca e Salvamento e da Defesa Civil do Estado ajudaram os moradores de áreas atingidas em Nova Iguaçu, assim como em toda a região. Em Austin, uma encosta desmoronou. Pelo menos 50 famílias foram retiradas de suas casas.

Foto: Carlos Grevi / Ururau / Agência O Dia
Em Santa Eugênia, bairro nobre de Nova Iguaçu, um rio transbordou e inundou casas. Morador da região por mais de 30 anos, Antônio Carlos Dias passou a madrugada tentando tirar a água de dentro de casa: “ Minha geladeira chegou a sair do chão com a força da água. Espero que ela não tenha dado defeito. Nunca vi tanta chuva”.
A Avenida Tancredo Neves, que liga o Centro da cidade ao bairro de Comendador Soares, virou mar: a água chegou à altura da janela dos veículos. Em Vila de Cava, o Canal do Paiol transbordou, deixando cerca de mil desalojados. O local fica próximo ao canteiro de obras do Arco Metropolitano.
No fim da tarde, moradores de Nova Iguaçu protestaram na altura do km 186 da Via Dutra. Moradores de Queimados também fecharam a rodovia, entre os quilômetros 193 e 204. Eles atearam fogo a pneus e outros objetos para interromper o tráfego na estrada, que liga o Rio a São Paulo.

Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia
Vila de casas desaba em Nova Iguaçu
Uma vila de casas desabou por volta das 4h30 da manhã desta quinta-feira, na Rua B, nº 128, no bairro Carmari, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Uma equipe da Defesa Civil foi enviada para o local e interditou toda a área. Ninguém se feriu. De acordo com os agentes, as casas foram construídas sem estrutura e de forma conjugada. Sete casas compõem a vila, mas quatro delas ficaram totalmente destruídas.

Foto: Alexandre Vieira / Agência O Dia
A Defesa Civil vai terminar de demolir parte da estrutura que ainda ficou de pé e espera o laudo dos engenheiros para avaliar se as demais casas da vila também deverão ser derrubadas. Para Daniel Ramos, 66, dono da propriedade, o importante é que ninguém ficou ferido.
“Sempre sofremos com enchentes aqui. Não esperava por isso, mas ainda bem que o pior não aconteceu. Estamos vivos e pretendo reconstruir tudo”, afirmou o aposentado. Ao todo, sete famílias viviam na vila, totalizando 19 pessoas. Todos estão acomodados na casas de vizinhos e parentes.






