A hipótese mais provável para o início do fogo foi uma falha elétrica relacionada a um aparelho de ar-condicionado.
Ninguém foi responsabilizado criminalmente, porque a investigação não identificou condutas criminosas ou uma pessoa culpada pelo acidente.
O incêndio aconteceu depois de anos de problemas de manutenção, falta de recursos e alertas sobre as condições precárias do prédio.
Uma nova vida ao Museu Nacional
Fernandes lembra que o Museu Nacional recebia cerca de 350 mil visitantes todos os anos.
"E nós tínhamos uma necessidade de, durante o processo de reconstrução depois do incêndio, manter o museu vivo no imaginário popular", detalha ele.
"Então fizemos um esforço para conseguir abrir pelo menos um pedaço do paço."
Atualmente, o Museu Nacional mantém algumas salas abertas ao público — inclusive uma que abriga o Bendegó, um famoso meteorito que virou nome de penteado, crônica de Machado de Assis e símbolo de sobrevivência da instituição.
Claraboia em uma das entradas do Museu Nacional
Cristina Boeckel /g1
Há ainda uma sala com instrumentos musicais — violão, cavaquinho, bandolim e violino — construídos com madeiras que sobreviveram ao incêndio e foram moldados por um bombeiro que ajudou a combater as chamas.
Esses mesmos instrumentos já foram usados por grandes artistas brasileiros, como Gilberto Gil e Paulinho da Viola.
Em 2024, a fachada principal do Paço de São Cristóvão foi completamente recuperada, inclusive com as cores originais — o local serviu de residência dos antigos imperadores brasileiros durante o século 19.
A expectativa é que o museu esteja em pleno funcionamento até o final de 2029.
Mesmo assim, o esforço de restauração das mais de 5 mil peças que foram resgatadas das cinzas após o incêndio é algo que vai demorar muitos anos.
"Esse é um trabalho que vai levar décadas, algo a ser concluído pelas próximas gerações", antevê Fernandes.
Entre processos de restaurações e doações, Fernandes se diz grato e feliz com o movimento que resolveu abraçar, de diferentes maneiras, a reconstrução do Museu Nacional.
"É a solidariedade, é a noção de que o museu é uma coisa importante, essencial para compreender o país e educar o povo", avalia ele.
"E vejo que colegas mundo afora entenderam isso e, dentro do possível, estão fazendo o que podem para nos ajudar."
"'Nós somos muito gratos por isso", conclui ele.
