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Trump quer vender milissegundos de vantagem a investidores; entenda por que isso vale milhões

Donald Trump, presidente dos EUA, segura cópia impressa de uma de suas publicações na Truth Social, em 8 de julho de 2026
AFP/Saul Loeb
A Truth Social, rede social criada por Donald Trump, começou a vender acesso antecipado às publicações do presidente dos Estados Unidos para investidores institucionais e empresas que utilizam sistemas automatizados para negociar ativos financeiros.
A iniciativa levanta uma questão para o mercado financeiro: quanto vale receber, alguns milissegundos antes dos demais, uma mensagem capaz de influenciar o preço de ações, moedas, juros e commodities?
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Segundo a Trump Media & Technology Group (TMTG), controladora da plataforma, o Truth API foi desenvolvido para entregar essas publicações em tempo real a organizações mais impactadas pelo custo de atrasos no acesso à informação.

Quando Trump posta, o mercado reage
Arte/g1
O que diferencia a Truth API das agências de notícias?
A principal diferença em relação a serviços como Bloomberg e Reuters, segundo os especialistas, não está na velocidade da entrega das informações, mas na origem delas.

"A comparação não se sustenta, e a diferença não está na velocidade, que sempre foi um produto comercializado no mercado financeiro", afirma Teberga.
Segundo ele, empresas como Bloomberg e Reuters vendem rapidez na distribuição de informações que observam, organizam ou reportam, mas não produzem as decisões capazes de movimentar os mercados.

Ele lembra que, quando uma empresa se aproximou dessa fronteira, houve reação das autoridades.

⚖️ Em 2013, a Thomson Reuters encerrou um serviço que antecipava em dois segundos um índice de confiança do consumidor após investigação do procurador-geral de Nova York.
"No caso da Truth API, quem produz a informação é a mesma pessoa que decide a política capaz de mover os preços", afirma.
Apesar disso, Marcelo Cabral, gestor de investimentos e sócio-fundador da Stratton Capital, gestora sediada em Nova York, faz uma ressalva: pelas informações divulgadas até o momento, o Truth API não oferece acesso antecipado às publicações, mas maior velocidade na distribuição de um conteúdo que já é público.

"O Truth API não poderá vender acesso antecipado aos posts de Donald Trump, pois isso seria ilegal. Segundo as notícias divulgadas, a empresa irá vender velocidade de entrega e formatação de informação que já é pública", afirma.
Quando a comunicação presidencial vira fator de mercado
O debate não se limita aos EUA. Como Trump costuma anunciar decisões de política econômica e comercial primeiro na Truth Social, publicações da plataforma também podem provocar reações imediatas em ativos de outros países, incluindo o Brasil.
Para Cabral, esse tipo de impacto é consequência de uma transformação mais ampla na forma como decisões de governo passaram a ser comunicadas.

Na avaliação dele, medidas de política econômica passaram a ser anunciadas primeiro nas redes sociais do presidente, antes dos canais oficiais do governo.
"O ponto mais interessante do debate não é a legalidade nem o caráter pouco democrático do Truth API, mas sim o padrão inusitado de comunicação, em que decisões importantíssimas de política econômica são divulgadas na rede social do presidente antes de serem anunciadas nos canais oficiais do governo."
É justamente nesse contexto que, segundo Praça, investidores brasileiros também podem ser afetados.
"Uma mensagem sobre tarifas contra o Brasil poderia provocar ordens simultâneas em dólar contra real, Ibovespa, ações de exportadoras, ativos brasileiros negociados em Nova York, juros futuros e instrumentos de proteção cambial", afirma.
Segundo ele, o risco aumenta porque parte relevante das negociações envolvendo ativos brasileiros ocorre em mercados internacionais e fora do horário de funcionamento da B3.
"O preço pode começar a se ajustar nos ADRs, no câmbio offshore, nos ETFs e nos mercados futuros antes da abertura do mercado brasileiro", diz.
Painel exibe informações sobre as ações da Truth Social e da Trump Media & Technology Group enquanto um homem observa o celular em frente ao Nasdaq MarketSite, em Nova York, em março de 2024.
REUTERS/Brendan McDermid.

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