A testemunha também disse à polícia que, após a morte do PM, Helen afirmou que pretendia pedir a pensão pela morte de Silva Júnior e solicitou que o amigo fosse testemunha, mas ele recusou.
Procurada, a defesa de Helen Kelly informou, por meio de nota, que as declarações não são verdadeiras e têm apenas a intenção de prejudicar a suspeita. Afirmou também que acredita na inocência dela e aguarda a conclusão das investigações.
Polícia apura morte de policial militar por envenenamento
Helen Kelly chegou a ser presa preventivamente no dia 22 de julho, após se jogar da janela do 4º andar de um prédio para evitar a prisão e, desde então, está no Hospital da Restauração, na área central da cidade. Na sexta-feira (31), a Justiça revogou a ordem de prisão preventiva.
A causa da morte de José Maria ainda não foi confirmada. Na semana passada, a perícia encontrou substâncias nas bebidas consumidas por ele e por Helen na noite em que o PM morreu. Na taça do policial, foram identificados clonazepam, um sedativo e cafeína. Já na taça da empresária, havia sibutramina, um inibidor de apetite.
Em depoimento, Helen Kelly afirmou que o PM teria tentado dopá-la ao trocar as taças de energético. Ela disse que percebeu a troca por causa de uma marcação em um dos recipientes e desfez a mudança a tempo. Horas depois, José Maria foi encontrado morto.
Conforme o depoimento, a empresária perguntava quais documentos e laudos seriam necessários para ficar com a maior parte da pensão de Silva Júnior e também com o seguro da motocicleta. Ainda segundo a testemunha, ela mencionava que o policial tinha uma ex-esposa e um filho, que também teriam direito aos benefícios.
O amigo relatou, ainda, que Helen Kelly costumava ter um "comportamento manipulador". No depoimento, ele afirmou ter conhecimento de que "ela armava situações" para tentar prejudicar outro ex-namorado e disse que Helen solicitou medida protetiva com esse objetivo.
"Tinha medo dela"
A namorada de José Maria, que pediu para não ser identificada, disse que começou o relacionamento dois meses depois que o PM acabou o namoro com Helen Kelly, no início deste ano. De acordo com ela, o policial dizia ter medo do que poderia acontecer com os dois, porque a ex continuava atrás dele.
"Ele disse que nunca namorou com ela, só foi um lance. [.] Quando a gente estava junto, inclusive, uma vez ele me deu o celular e disse assim: 'ó, ela está me ligando, atende'. Eu: 'não vou atender, eu não vou me meter nisso aí', até porque ele falava que ela era perigosa e [ele] tinha medo que ela soubesse quem eu era, para ela não me fazer mal. Mas já tinha deixado ela ciente: 'eu estou em outro relacionamento e eu quero viver em paz'", afirmou.
A TV Globo também teve acesso a um áudio que consta no inquérito. Na gravação, o policial fala sobre o fim do relacionamento com a empresária e demonstra preocupação.
"Foi só um lance. Não tenho sentimento por ela, não, pô. Só que eu fico preocupado porque ela é capaz de muita coisa, pô. E, tipo, eu não sei o que ela é capaz de fazer comigo, né? Por isso que eu fico na minha. É feito dizia minha mãe: 'vou dar um basta de vez'", diz o PM no áudio.
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi o relato de um ex-namorado da empresária, que denunciou à polícia que também teria sido dopado por ela. Helen acusou esses dois ex-namorados de violência doméstica e conseguiu a expedição de medidas protetivas contra eles.
Além disso, durante os relacionamentos, os dois homens tiveram veículos roubados: um perdeu um carro e o policial militar, uma moto. A namorada de José Maria levantou a suspeita de que o roubo da motocicleta teria sido planejado pela própria empresária.
"Deixaram ele só com a roupa do corpo, levaram carteira, celular, moto e o capacete. [.] Ele disse para mim: 'foi ela porque ela sabia que eu tinha as provas [da perseguição] no celular'", contou.
Enquanto analisa gravações e depoimentos, a polícia tenta localizar o celular do policial militar. A namorada de Silva Júnior disse que chegou a enviar mensagens por WhatsApp depois da morte de José Maria, o que indicaria que o aparelho ainda estava funcionando.
"Mandei mensagem no dia 11 de manhã. No outro dia, no dia do enterro, eu liguei, pediram para eu ligar. Eu liguei sem ser por WhatsApp, ligação normal. Chamou várias vezes e não atendeu. Mandei mensagem pelo WhatsApp também: 'amor, chegou a mensagem?'. Mas o celular não apareceu. [.] Ele tinha celular antes, que foi do assalto, em que ele tinha provas de que não tinha batido nela. De repente, ele é assaltado, levam o celular. Ele consegue um outro celular, consegue recuperar novamente as provas e, de repente, ele morre e o celular com as provas some também", afirmou.
Procurada pela TV Globo, a Polícia Civil informou que as investigações seguem em andamento e só vai se pronunciar sobre o caso quando o inquérito for concluído.
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