Para além da aparência, o rato-toupeira-pelado (Heterocephalus glaber) chama a atenção, em especial de pesquisadores, por outro aspecto: a longevidade. Com o período de vida máximo estimado em cerca de 40 anos, eles são os roedores mais longevos do planeta, enquanto um roedor comum vive em torno de um a três anos.
Segundo um novo estudo liderado pela Universidade de Tongji, na China, a expectativa de vida está ligada a uma proteína “reparadora” produzida por células do animal. A descoberta foi publicada na revista Science em outubro do ano passado.
Tuco-tuco-das-dunas: espécie rara de roedor é vista em praia no RS Ciência Roedores ferozes: imagens mostram ratos caçando morcegos na Alemanha Distrito Federal Ratos mortos e fezes de roedores no Ministério da Previdência assustam servidores Já era de conhecimento dos cientistas que o rato-toupeira-pelado era resistente a várias condições ligadas à idade avançada, incluindo câncer, artrite e danos ao cérebro e à medula espinhal. Por isso, o objetivo do estudo foi investigar como eram feitos os reparos de DNA no corpo dos roedores.
Tanto no nosso corpo quanto no dos roedores, fitas de DNA danificadas fazem o organismo utilizar um mecanismo para copiar outra fita de DNA sem danos para reparar os prejuízos.
No caso do rato-pelado, assim que a célula encontra alguma anomalia no material genético, ela produz a proteína c-GAS, responsável por ajudar na correção das fitas de DNA e manter o código genético celular intacto. Já em nosso corpo, ocorre o contrário: a mesma substância capaz de ajudar os roedores interrompe o nosso processo de reparo do DNA – uma interferência que, segundo os cientistas, pode aumentar as chances de câncer ou de diminuição de expectativa de vida.
O trabalho dos cientistas agora deve se concentrar em entender o motivo da proteína c-GAS funcionar assim no corpo humano e, quem sabe, conseguir replicar o mecanismo em nosso organismo e nos dar mais tempo de vida com saúde.