O turno ainda não havia começado quando os gritos atravessaram o setor de expedição da fábrica da Bombril. “Corre aqui. Corre aqui!”, chamavam funcionários. Em poucos minutos, trabalhadores correram, fizeram quatro ligações ao 190, tentaram conter um agressor com uma cadeira e rezaram para que a violência parasse.
Os depoimentos reunidos pela Polícia Civil e obtidos pela coluna reconstituem o ataque que terminou com três trabalhadores mortos na manhã de sábado (1º/8), em São Bernardo do Campo, no ABC, região metropolitana de São Paulo.
11 imagensFechar modal.1 de 11Douglas era torcedor fanático do São PauloArquivo Pessoal2 de 11Edvaldo tentou impedir violência e acabou também morto Reprodução/Redes Sociais3 de 11Claudio Henrique da Silva matou colegas e depois se suicidou em delegaciaReprodução/Arquivo Pessoal4 de 11Douglas era casado e deixa filho e enteadoReprodução5 de 11José Guilherme foi morto a facadas por colega no ABCReprodução/Redes Sociais6 de 11Trio morto a facadas trabalhava com autor do crimeArte/Metrópoles7 de 11Viaturas policiais em frente ao 2º DP de São Bernardo, em Rudge RamosEnzo Marcus/Metrópoles8 de 11Fábrica da Bombril em São Bernardo do CampoImagem cedida ao Metrópoles/TV São Bernardo9 de 11Fábrica da Bombril em São Bernardo do CampoImagem cedida ao Metrópoles pela TV São Bernardo10 de 11Unidade da Bombril na Via Anchieta, em São Bernardo do CampoReprodução/Google Street View11 de 11Reprodução/Redes Sociais
Eram pouco menos de 6h. Parte dos funcionários aguardava sentada a autorização para iniciar as atividades quando Claudio Henrique da Silva, de 33 anos, aproximou-se do operador de empilhadeira Douglas de Souza Vieira, de 39.
A primeira impressão de uma testemunha foi a de que os dois brigavam com socos. Ela só percebeu a faca quando Douglas começou a jorrar sangue.
Corrida pelas escadas
O supervisor Edvaldo Santos da Silva, 44, tentou acalmar Claudio. Depois, lançou uma cadeira contra o agressor e ordenou que ele parasse.
Douglas aproveitou então para correr. Desceu uma escada, mas caiu durante a fuga. Claudio o alcançou no andar inferior e prosseguiu com as facadas.
Um funcionário viu o agressor perseguir Douglas enquanto o apunhalava. À distância, pediu que Claudio interrompesse o ataque, mas não conseguiu se aproximar. Outra testemunha começou a orar, pedindo que Deus interviesse.