Homem reage diante de um caminhão dos bombeiros em Loumpa, na região da Ática Ocidental, atingida por incêndios florestais nesta segunda-feira (3), na Grécia.
Louisa Gouliamaki/Reuters
Incêndios de grandes proporções, cidades esvaziadas às pressas, milhares de mortes acima do esperado e rios com água insuficiente para a produção de energia.
A nova onda de calor que atinge a Europa mostra que os efeitos das temperaturas extremas já avançam muito além dos termômetros.
Em diferentes partes do continente, as máximas devem alcançar ou superar os 40°C. Espanha, Portugal e França estão entre os países mais afetados neste início de semana, mas o calor deve se deslocar gradualmente para o centro e o leste europeu.
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Na Espanha, os termômetros podem chegar a 42°C ou mais, principalmente no sul do país.
Em Portugal, áreas do centro, do norte e do sul enfrentam risco elevado de incêndios, enquanto a França prevê temperaturas de 40°C em regiões do oeste antes de o núcleo de calor avançar para leste.
Até o Reino Unido deve registrar valores muito acima do comum. O sudeste da Inglaterra pode chegar aos 35°C, em um país onde muitas casas e prédios foram construídos para conservar calor durante o inverno e não para enfrentar dias seguidos de temperaturas elevadas.
👉 Ao mesmo tempo, França e Espanha combatem incêndios que já deixaram mortos, destruíram imóveis e forçaram grandes operações de retirada. Partes de Portugal, da Irlanda e do Reino Unido também estão sob condições consideradas muito extremas para a propagação do fogo.
Mas o que está por trás dessa nova onda de calor, por que os incêndios avançam tão rapidamente e quais áreas ainda podem ser atingidas?
Entenda mais abaixo.
Agora no g1
Por que as temperaturas estão subindo tanto?
A atual onda de calor é favorecida por uma área persistente de alta pressão sobre parte da Europa. Esse sistema dificulta a passagem de frentes frias, reduz a formação de nuvens e mantém o céu aberto durante vários dias.
O ar desce na atmosfera, aquece e fica ainda mais seco. Ao mesmo tempo, ventos transportam ar quente do Norte da África em direção ao continente europeu.
Sem chuva, o solo perde umidade rapidamente. Quando há água disponível, parte da energia do Sol é usada na evaporação. Em um terreno seco, uma parcela maior dessa energia aquece diretamente a superfície e o ar.
➡️ RESUMINDO: Alta pressão + ar quente + pouca chuva + solo seco = temperaturas mais altas e duradouras.
O calor também se reforça conforme os dias passam. A vegetação seca, a falta de nuvens e as noites abafadas impedem que cidades e áreas rurais se recuperem antes do novo pico de temperatura.
Ondas de calor sempre fizeram parte do clima europeu. O aquecimento global, no entanto, eleva a temperatura de partida e torna esses episódios mais frequentes, intensos e longos.
A Europa é inclusive o continente que se aquece mais rapidamente no planeta. Em 2025, quase toda a região registrou temperaturas acima da média, e estudos estimam que dezenas de milhares de pessoas morram todos os anos por causas associadas ao calor.
"A onda de calor brutal na Europa carrega as marcas da crise climática por toda parte – é o preço mais recente a pagar pela poluição dos combustíveis fósseis que assola nosso planeta", afirmou recentemente o secretário-executivo da ONU para Mudança Climática, Simon Stiell.
“Escolas fechando, pessoas vulneráveis morrendo e economias sofrendo: é assim que a crise climática se apresenta na prática”, declarou.
Caminhão dos bombeiros destruído pelo fogo permanece em uma estrada após a passagem de um incêndio florestal em Porto Germeno, na Grécia, nesta segunda-feira (3).
Stelios Misinas/Reuters
Por que o risco de incêndios está tão alto?
O calor não provoca sozinho o início de todos os incêndios. Muitos focos surgem por ação humana, acidentes ou falhas em redes elétricas.
As temperaturas elevadas e a falta de chuva, porém, retiram a umidade de folhas, galhos e pastagens.

