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PM recomenda expulsão de soldado por morte de estudante de medicina

A Polícia Militar (PM) recomendou a expulsão do soldado Guilherme Augusto Macedo, acusado de atirar e matar o estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta, de 22 anos, no âmbito do Processo Administrativo Disciplinar (PAD) que apura a abordagem policial ocorrida em 2024, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo.

Macedo responderá por homicídio qualificado na Justiça comum. Ele e o soldado Bruno Carvalho do Prado, que também estava na ocorrência, irão a júri popular. A Justiça negou o pedido de absolvição protocolado pela defesa dos PMs.
O Metrópoles entrou em contato com a defesa do soldado. “Acreditamos que se trata de uma decisão afoita, talvez por conta de pressões externas ao procedimento. A defesa espera que as demais autoridades da PMESP avaliem com mais cautela os fatos”, afirmou o advogado Leonardo Duarte.
Procurada, a Polícia Militar informou que “o respectivo processo administrativo disciplinar permanece em tramitação, dentro do prazo legal, observadas as etapas regulamentares e o devido processo legal”.
“Tão logo a análise pela autoridade competente seja concluída, o resultado será publicado conforme prevê a legislação vigente”, completou.

Marco Aurélio Cardenas Acosta, 22 anos, estudante do 5º ano de medicina, foi morto por policiais na madrugada de 20 de novembro de 2024, dentro de um hotel na Vila Mariana, zona sul de São Paulo.
Ele deu um tapa no retrovisor da viatura policial, enquanto aparentava estar alterado, e seguiu correndo até o hotel.
Os policiais o perseguiram até o hotel. No saguão, houve confronto: ele tentou se soltar e caiu no pé de um dos agentes.
Um dos PMs sacou a arma e disparou no abdômen de Marco Aurélio, que caiu. Ele foi atendido no Hospital Ipiranga, mas não resistiu e faleceu horas depois.
O Ministério Público do estado (MPSP) denunciou os dois PMs por homicídio qualificado, com descrições de “motivo torpe” e “impossibilidade de defesa da vítima”.
Para um dos PMs, foi pedida prisão preventiva, e o outro figura como cúmplice.
Os PMs foram afastados das atividades operacionais enquanto o caso é analisado.

Vídeo desmente versão de PMs
No boletim de ocorrência, os PMs alegaram que Marco Aurélio Cardenas estaria “bastante alterado e agressivo” e teria resistido à abordagem policial. Além disso, o documento aponta que, “em determinado momento, [Marco Aurélio] tentou subtrair a arma de fogo que o soldado Prado portava, quando então o soldado Augusto efetuou um único disparo, a fim de impedi-lo”.
As imagens do circuito interno do hotel mostram, no entanto, que o PM Augusto atirou após o soldado Prado dar um chute no estudante, ter a perna segurada por ele e cair para trás, desequilibrado. No vídeo não é possível ver Marco Aurélio tentando pegar a arma do agente – ao contrário do que foi narrado na delegacia.

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