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Segurança no Amapá
Para conter esse avanço das organizações criminosas dentro do Amapá, o governo estadual afirma ter adotado medidas de prevenção e repressão. Vieira destaca que o estado tem buscado impedir o domínio territorial das facções.
“No Amapá, a estratégia adotada pelo governo é rigorosa, criteriosa e eficiente, com investimentos e integração das forças de segurança pública. Isso tem impedido o domínio territorial. Não há áreas com grupos criminosos em que a segurança pública não esteja presente”, contou Cézar.
Segundo o secretário, o trabalho envolve patrulhamento urbano, rural e fluvial, além de capacitação contínua e uso de inteligência.
“Temos capacitações contínuas, efetivo bem treinado, investimentos em inteligência e tecnologia de investigação. Há patrulhamento em rios, áreas urbanas e rurais, especialmente em municípios de fronteira como Oiapoque e Laranjal do Jari [.] Há cooperação com a Guiana Francesa, por meio do Centro de Cooperação Policial, com trânsito rotineiro de informações e articulação direta com o governo francês. Isso evita burocracia e agiliza investigações e prevenção”, relatou.
Nos últimos anos, os fluxos de migração ilegal na fronteira franco-brasileira têm ganhado maior visibilidade.
De acordo com o Plano de Desenvolvimento e Integração da Faixa de Fronteira do Estado do Amapá (2024), o estado configura-se como um dos principais espaços de trânsito de estrangeiros no Brasil.
Entre 2019 e 2023, foram apresentados 401 imigrantes ilegais à sede da Polícia Federal, com destaque para 2021, quando a Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou 334 detenções.
Esses números reforçam a percepção de que a fronteira é não apenas um ponto de passagem para facções criminosas, mas também um espaço de intensa circulação de estrangeiros em situação irregular, o que contribui para a complexidade da segurança pública na região.
Facções brasileiras classificadas como terroristas pelos EUA
No dia 5 de junho de 2026, o PCC e CV passaram a ser oficialmente classificadas como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos.
A decisão havia sido anunciada previamente pela gestão do presidente Donald Trump em 28 de maio e, desde então, o governo brasileiro mantém conversas diplomáticas com autoridades americanas na tentativa de reverter a medida.
Analistas apontam que a nova classificação pode trazer sanções econômicas e prejudicar a troca de informações de inteligência entre os dois países. Já auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que, neste momento, não há risco de operações militares americanas em território brasileiro.
Em comunicado, os EUA afirmaram que CV e PCC estão entre “as organizações criminosas mais violentas do Brasil” e disseram que os grupos “comandam milhares de integrantes” e são responsáveis por “ataques brutais” contra policiais, autoridades públicas e civis.
PCC e CV como terroristas: o que pode mudar para o Brasil após decisão dos EUA?
O pesquisador Feliciano Guimarães, diretor acadêmico do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), afirma que há risco real de sanções a instituições financeiras e a companhias instaladas no Brasil.
"Se investigações brasileiras, como Carbono Oculto [operação da Polícia Federal que investiga práticas de lavagem de dinheiro conduzidas pelo crime organizado], ou outras investigações feitas pelos Estados Unidos identificarem instituições financeiras brasileiras que, por alguma forma, passaram recurso do PCC ou do CV, podem sofrer sanções diretas", explicou.
Iniciais da organização criminosa Comando Vermelho em território Francês.
Reprodução/Relatório CRNS
EUA oficializam classificação de PCC e CV como organizações terroristas
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