Euclides Fagundes Filho nasceu em Uruguaiana, na Fronteira Oeste, em 3 de outubro de 1939. Ele ganhou o apelido "Bagre" na adolescência e o adotou por toda a vida.
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Ele será velado no Salão Negrinho do Pastoreio, no Palácio Piratini, em Porto Alegre, a partir das 10h desta segunda-feira (3). O encerramento está previsto para as 16h. As informações sobre o sepultamento não tinham sido divulgadas até a última atualização desta reportagem.
Autoridades, músicos e entidades emitiram notas de pesar e prestaram homenagens ao tradicionalista. "Folclorista, compositor, cantor e instrumentista, Bagre dedicou a vida a preservar e difundir as tradições gaúchas, oferecendo uma contribuição inestimável para a identidade e a memória do nosso Estado", destacou o governador Eduardo Leite.
Colorado, Bagre foi lembrado pelo Internacional, que dedicou a vitória deste domingo a ele. "Conselheiro do Clube do Povo entre os anos de 2001 e 2012, Bagre será sempre lembrado por sua contribuição à cultura do nosso estado e pela paixão pelo Inter. "
"Vou guardar pra sempre a imagem dele com a sua gaitinha nas mãos, levando música por onde passava. Era um talento que encantava o Rio Grande, mas que, para nós, fazia parte das lembranças mais afetuosas da família", disse a sobrinha dele, Mocita Fagundes.
O Movimento Tradicionalista Gaúcho lamentou o falecimento do cantor. "Sua trajetória, sua obra e sua contribuição permanecerão vivas na memória e na cultura do Rio Grande do Sul."
O grupo Os Serranos, que regravou o "Canto Alegretense", também fez uma homenagem ao músico: "Hoje nos despedimos de um artista, mas celebramos um legado que permanecerá vivo em cada acorde, em cada verso e em cada gaúcho que seguir cantando nossa identidade."
A dupla César Oliveira e Rogério Melo prestou apoio aos familiares. "Que o Patrão Velho conforte a todos e este grande esteio encontre a luz e descanso merecido."
Bagre Fagundes recebeu o Troféu Origens em 2019, no Galpão Crioulo
Quem era Bagre Fagundes
Ao longo da carreira, Bagre Fagundes construiu uma trajetória diversificada. Além de músico, foi advogado formado pela Universidade de Cruz Alta, vereador em Alegrete, jogador e árbitro de futebol. Também presidiu o Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore (IGTF) e atuou como colunista do jornal Diário Gaúcho.
A música, no entanto, foi sua maior vocação. O "Canto Alegretense" se tornou um símbolo do orgulho regional e projetou o nome do artista para além das fronteiras gaúchas.
Bagre Fagundes era casado com Marlene Vilaverde, com quem teve quatro filhos.
O artista mantinha uma rotina ativa e seguia na estrada. Ele se apresentava ao lado dos filhos Ernesto, Neto e Paulinho, com quem formava o grupo Os Fagundes, transformando o palco em um espaço de convivência familiar e cultural.
Conhecido pelo bom humor, Bagre costumava falar sobre a própria trajetória com ironia. Ao completar 80 anos, disse que ainda não havia alcançado seu objetivo: "o de não fazer nada". A frase, repetida em entrevistas, sintetizava a forma leve com que encarava a vida e o trabalho.
O reconhecimento veio em vida. Em 2019, o músico recebeu uma homenagem da RBS TV com um programa especial pelos seus 80 anos. Na ocasião, ele foi agraciado com o Troféu Origens, concedido a destaques da cultura regional, em um momento de emoção e celebração.
Emílio Pedroso/Agência RBS
Bagre Fagundes morre aos 86 anos
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