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Fugas em série acendem alerta e expõem abandono dos presídios de Minas

Belo Horizonte – Duas fugas registradas em unidades prisionais de Minas Gerais em um intervalo de apenas três dias deixaram nove detentos foragidos e colocaram em evidência a situação do sistema prisional do estado.
Enquanto a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MG) investiga como os presos conseguiram escapar, representantes da Polícia Penal afirmam que os casos refletem problemas estruturais antigos, como déficit de servidores, falta de manutenção nas unidades e equipamentos ultrapassados.
Ceresp Gameleira onde ocorreu a fuga dos detentos em Belo Horizonte
A primeira fuga ocorreu na madrugada de segunda-feira (27/7), no Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) Gameleira, em Belo Horizonte. Sete detentos conseguiram escapar após abrirem um buraco em uma cela e transpor o muro da unidade.
Até o momento, quatro dos fugitivos foram recapturados. Permanecem foragidos Luiz Fernando Freitas Pereira, de 20 anos, conhecido como “Bolotinha&#8221. Saymon Patric Gomes Silva, de 23 anos, o “LB&#8221. e Bruno Gustavo Gomes da Paixão, de 33 anos.
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Fugas no Sul de Minas
Três dias depois, na quinta-feira (30/7), uma nova fuga foi registrada no Presídio de Passos, no Sul de Minas. Durante uma conferência de rotina, policiais penais constataram que o cadeado de uma cela havia sido rompido e seis presos haviam escapado.
Os fugitivos foram identificados como Diogo Henrique da Cruz Fabiano, Júlio Arnaldo Toledo, Leonardo Willians Silva Pereira, Marcos Túlio Cruz Fabiano, Matheus Loiola Divino e Wagner Santos de Lima. Nenhum deles havia sido recapturado até a última atualização divulgada pela Sejusp-MG.
“Não é um fato isolado&#8221. diz policial penal
Para o policial penal e vice-presidente do Sindicato dos Policiais Penais de Minas Gerais (Sindppen-MG), Wladimir Dantas, as duas fugas não podem ser tratadas como episódios isolados.
Segundo ele, o sistema prisional mineiro enfrenta um processo de sucateamento que compromete diretamente a segurança das unidades.
“Os cadeados são antigos e obsoletos. O maquinário é ruim e as unidades, principalmente o Ceresp Gameleira, sofrem com falta de manutenção. Quem passa a mão na parede vê que o reboco esfarela. É uma estrutura muito antiga, com infiltrações e instalações deterioradas.&#8221. afirma.
Dantas explica que o Ceresp Gameleira, administrado pela Polícia Penal desde 2004, nunca recebeu as intervenções estruturais necessárias.
“Há pedidos de manutenção há muito tempo, mas tudo depende de licitação e esses processos acabam travando. No Estado, tudo é muito moroso. Enquanto isso, as unidades vão envelhecendo.”
A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública discorda da afirmação do policial. Em relação ao Ceresp Gameleira, onde ocorreu uma das fugas de detentos na última semana, a Sejusp informou que a reforma da área carcerária do presídio em 2024, resultou em uma ampliação de 93,69% da capacidade de vagas da unidade prisional.
Após quase dois anos de obras, o local passou das 412 vagas iniciais para 798, ou seja, um acréscimo de 386 vagas.
Déficit de servidores
Outro problema apontado pelo dirigente sindical é o efetivo insuficiente para atender à demanda do sistema prisional.
Segundo ele, Minas Gerais possui pouco mais de 16 mil policiais penais para atender 168 unidades prisionais, número considerado muito abaixo do necessário.
“O ideal seria termos entre 25 mil e 30 mil servidores. Hoje trabalhamos com um efetivo insuficiente para uma das maiores populações carcerárias do país.”
De acordo com Dantas, quando a Polícia Penal assumiu a gestão das unidades, em 2004, Minas Gerais tinha cerca de 20 mil presos. Atualmente, o estado já ultrapassou a marca de 80 mil pessoas privadas de liberdade e, segundo ele, chegou a superar os 120 mil em determinados períodos, em razão dos altos índices de reincidência criminal.
“Somos a segunda maior malha carcerária do Brasil, mas o crescimento da estrutura não acompanhou o aumento da população prisional.”
Falta de efetivo e estrutura precária: as causas por trás das fugas em MG
A Sejusp-MG administra atualmente 166 unidades prisionais e tem sob sua custódia cerca de 72 mil presos. O número atual de vagas é de aproximadamente 42.500 vagas. Os dados são de maio de 2026.
Por meio de nota oficial, a Secretaria ressaltou o reforço do efetivo nas unidades prisionais: cerca de 3,4 mil policiais penais tomaram posse em 2024.
Destacou que tem concurso público em andamento, com 1.178 vagas para reforçar o efetivo da Polícia Penal em todo estado. Este é o segundo edital da gestão atual, que já resultou na contratação de quase 5 mil policiais penais.
Equipamentos antigos e servidores sobrecarregados
Além da infraestrutura precária, o vice-presidente do Sindppen afirma que os policiais penais trabalham com equipamentos defasados.
“Temos coletes balísticos vencidos, armamentos antigos e equipamentos de proteção que precisam ser substituídos. Tudo isso impacta diretamente a segurança dos servidores e das unidades.”

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