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Comprador da Naskar desviou R$ 60 milhões de empresa da família de Zema

O comprador da fintech Naskar Gestão de Ativos Ltda. Douglas Silva de Oliveira Azara, de 26 anos, é acusado de liderar um esquema que desviou R$ 60 milhões da Zema Financeira, instituição que pertence ao conglomerado de empresas da família do ex-governador de Minas Gerais e candidato à Presidência Romeu Zema (Novo). O crime ocorreu entre novembro e dezembro de 2025.
A Zema Financeira, que tem sede em Araxá (MG), foi alvo de um ataque cibernético que desviou cerca de R$ 75 milhões da instituição financeira — destes, R$ 60 milhões teriam sido subtraídos pelo esquema comandado por Douglas Azara. A própria empresa identificou a invasão, no fim de 2025, e acionou as autoridades por meio de uma notícia-crime.
A investigação da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) revelou que a maior parte do prejuízo causado pela invasão cibernética contra o Grupo Zema acabou na conta da empresa Jabuti Capital, que tem Douglas Silva de Oliveira Azara como único sócio.

Ao conseguir burlar o acesso ao sistema da Zema Financeira, o grupo orquestrado por Douglas realizou acessos diretos às chaves de pagamento da instituição. Em seguida, quitou boletos falsos e fez transferências milionárias para empresas de fachada e contas de “laranjas&#8221.
A Polícia Civil de MG, então, cruzou dados de inteligência com informações telemáticas e constatou que a conexão IP utilizada para operar a invasão contra o sistema da Zema Financeira partiu do próprio endereço residencial de Douglas Azara, localizado em um condomínio fechado em Anápolis (GO).
Orquestrado por Douglas, o grupo criminoso atuou em duas frentes: enquanto parte do bando atuava como “laranja&#8221. recebendo, pulverizando e lavando os recursos desviados no ataque à Zema Financeira, outros integrantes davam apoio tecnológico e viabilizavam a execução do ataque, assegurando a infraestrutura do grupo e ocultando os rastros das atuações.
No total, 19 empresas de fachada, com títulos como Serygma, TRX e Truviax, foram usadas pelo grupo investigado para operar o esquema e conseguir fazer o desvio dos R$ 75 milhões dos cofres da Zema Financeira.
Casos de família
Entre as pessoas investigadas estão a avó de Douglas, Célia Fátima Ferreira, mulher de 77 anos que teve a empresa Naskar transferida para o seu nome. A idosa teria feito mais de 300 pagamentos em boletos bancários no valor de R$ 2 milhões. Apesar de investigada, a Polícia Civil constatou que Célia já não responde por si por ter diagnóstico de Alzheimer. Douglas aparece como representante legal da avó.
A advogada Jessika Lorrane Bastos de Castro, de 35 anos, também é citada no esquema. Moradora de Anápolis (GO), ela aparece como companheira de Douglas Azara. Há um mandado de prisão em aberto em seu desfavor.
Irmão de Jessika e cunhado de Douglas, Maycon Douglas Bastos de Castro também é citado nas investigações. Ele e Marllon Henrique Castro Silva, apontado como diretor de TI do grupo criminoso, foram presos pela Polícia Civil de Goiás (PCGO) no dia 23 de junho, em cumprimento a mandado de prisão expedido pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TMJG).
Uma mulher identificada como Erika Batista Santos aparece nos registros como pagadora de 146 boletos, que somaram R$ 730 mil, direcionados à empresa de Douglas. Consta no processo que Erika já havia registrado uma ocorrência policial anterior alegando ter sido vítima de estelionato praticado pelo empresário, justamente após ter passado uma procuração para ele.
Uma das sócias das empresas utilizadas como laranja, Scarlet Cristine Rodrigues Félix também aparece como peça-chave para o esquema.

Confira a participação de cada investigado

Marllon Henrique Castro Silva (diretor de tecnologia do Banco Phoenix/Jabuti Capital): apontado como o diretor de tecnologia do Banco Phoenix, do qual Douglas é proprietário, Marllon ficava responsável por gerenciar toda a estrutura e suporte de TI do grupo para executar as invasões ao sistema da Zema Financeira. Ele tinha como principal objetivo criar “camadas de blindagem&#8221. ocultar a verdadeira identidade dos criminosos e despistar os órgãos de investigação;
Célia de Fátima Ferreira (avó de Douglas Azara): nomeada como titular de contas bancárias usadas para movimentação e dissipação dos recursos desviados do golpe;
Jessika Lorrane Bastos de Castro (companheira de Douglas): advogada da OAB de Goiás, prestava apoio logístico abrigando e mantendo a infraestrutura da residência em Anápolis (GO), de onde partiram os acessos cibernéticos da invasão à Zema Financeira, além de ceder contas e empresa para o fluxo do dinheiro;
Maycon Douglas Bastos de Castro (cunhado de Douglas e sócio da empresa Mayconst Ltda.): atuava na ocultação patrimonial e de localização física. Maycon utilizou empresa para formalizar o contrato de locação da residência principal usada pelo grupo, evitando que o imóvel ficasse em nome de Douglas;
Scarlet Cristine Rodrigues Félix (sócia da empresa Ajuda Solidária Brasil Ltda.): fornecia apoio logístico e lavagem de capitais usando empresa de fachada para receber a maior fatia das transferências diretas de Pix (mais de R$ 213 mil) para posterior dissipação. Possui mandado de prisão em aberto;
Erika Batista Santos: aparece nos registros como pagadora de 146 boletos, que somaram R$ 730 mil, direcionados à empresa de Douglas. Já processou o empresário.

Bloqueio de bens
Como o Metrópoles mostrou, na semana passada, a Justiça ordenou o bloqueio de ativos financeiros em até R$ 75 milhões de Douglas Silva de Oliveira. Os envolvidos supracitados também tiveram valores bloqueados, na tentativa de reaver os prejuízos causados à Zema Financeira e assegurar a reparação dos danos.
Todos os investigados também foram alvos de busca e apreensão em endereços localizados em Anápolis (GO), Rio Verde (GO), Belo Horizonte (MG) e Uberlândia (MG).
Enquanto responde por processos da fintech Naskar, que é investigada por dar prejuízo de R$ 900 milhões em 33 mil clientes, Douglas Silva de Oliveira Azara está em Dubai há cerca de três semanas. Desde então, Douglas abriu a privacidade do perfil no Instagram e passou a compartilhar imagens de carros de luxo e jogos de pôquer, além de responder com deboche as publicações do Metrópoles sobre o Caso Naskar.
Os três ex-sócios da empresa chegaram a ser presos na última semana, em São Paulo (SP).

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