Câncer de pâncreas já matou 20 pessoas nas maiores cidades do Sul de Minas em 2026
O câncer de pâncreas, considerado uma das formas mais agressivas da doença, ainda desafia a medicina por não contar com um exame eficaz para rastreamento precoce na população em geral. Em Minas Gerais, foram registrados 381 diagnósticos da doença no ano passado, sendo 17 deles nas quatro maiores cidades do Sul de Minas.
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Somente neste ano, 20 pessoas morreram em decorrência do tumor na região. Foram seis mortes em Varginha, seis em Poços de Caldas, quatro em Pouso Alegre e quatro em Passos.
A dificuldade em identificar a doença foi vivida pelo empresário Dirceu Paulo dos Santos, morador de Espírito Santo do Dourado. Ele recebeu o diagnóstico em novembro de 2025, mas os primeiros sintomas começaram cerca de quatro meses antes.
Câncer de pâncreas é silencioso
Reprodução / Redes sociais
“Eu não aguentava andar, eu tinha que ficar só em pé e andar com as costas abaixadas. Eu não podia sentar, não podia deitar. Fui três vezes no hospital, eles me deram o remédio, mandaram de volta. Aí eu fui, final, tem que ver o que é, né? Aí fez o exame, aí descobriu que era pancreatite. Aí eu fiquei uma semana internado e daí pra cá foi até fazer a cirurgia”, contou.
Apesar dos sintomas e das repetidas buscas por atendimento médico, o caminho até o diagnóstico não foi simples. Segundo especialistas, essa é uma realidade comum entre pacientes com câncer de pâncreas, já que os sinais da doença costumam surgir apenas quando o quadro está mais avançado.
A oncologista clínica Helenna Maria da Silveira Ribeiro explica que, atualmente, não existe um método comprovadamente eficaz para rastrear a doença em pessoas sem fatores genéticos conhecidos.
“Não existem até o momento estudos que mostram que existe um exame eficaz de rastreamento, que possa mudar mesmo o prognóstico dos pacientes. Existe apenas uma exceção para alguns pacientes que já sabidamente têm alguma alteração genética, principalmente BRCA1 e BRCA2. Esses pacientes têm indicação de fazer ressonância de abdômen anual. Então, é só essa exceção para os pacientes que a gente já sabe que são mutados. Para o restante da população, não existe nenhum exame que tenha realmente benefício comprovado de rastreamento”, explicou.
Dados da Secretaria de Estado de Saúde apontam que, dos 381 diagnósticos registrados em Minas Gerais em 2025, sete ocorreram em Varginha, cinco em Poços de Caldas, três em Pouso Alegre e dois em Passos.
Pele e olhos amarelados são um dos poucos sintomas do câncer de pâncreas. Os incômodos só costumam aparecer num estágio mais avançado da doença.





