Um relatório da Polícia Federal (PF) revelou que o senador Jaques Wagner (PT-BA) manteve uma rotina frequente de contatos telefônicos com o ex-sócio de Daniel Vorcaro, do Banco Master, Augusto Ferreira Lima, investigado na Operação Compliance Zero.
Entre 17 de novembro de 2023 e 25 de maio de 2025, foram registradas ao menos 74 chamadas de voz concluídas entre os dois, que somaram mais de cinco horas e trinta minutos de conversas.
As informações constam em documento tornado público após o ministro André Mendonça, relator do inquérito do Caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), derrubar o sigilo da investigação que apura as possíveis ligações do senador com Vorcaro.
Os dados foram extraídos do celular de Augusto Ferreira Lima, apreendido durante a investigação. Segundo a PF, o período analisado compreende 555 dias, o que representa uma média de uma ligação a cada 7,5 dias.
A chamada mais longa identificada pelos investigadores teve duração de 19 minutos.
De acordo com o relatório, os investigadores identificaram uma “clara e reiterada preferência” de Wagner e Lima por conversas realizadas por meio de chamadas de voz em um aplicativo de mensagens, evitando comunicações por texto. Para a PF, esse padrão reduz a rastreabilidade das interações e se enquadra nas estratégias de contrainteligência atribuídas ao grupo investigado.
3 imagensFechar modal.1 de 3Líder do governo no Senador, Jaques Wagner (PT-BA)LUIS NOVA/ESPECIAL METRÓPOLES @LuisGustavoNova2 de 3Augusto Ferreira LimaPaulo Mocofaya/Agência ALBA3 de 3Wagner foi à tribuna do Senado se defender 2 dias antes de operaçãoCarlos Moura/Agência Senado
A Polícia Federal afirma que a frequência das ligações reforça os indícios de proximidade entre o parlamentar e o empresário. O relatório também registra que o número de Jaques Wagner estava salvo no celular de Augusto Ferreira Lima desde janeiro de 2022.
As conversas ocorreram, segundo a investigação, paralelamente à suposta concessão de vantagens indevidas ao senador.
Entre os benefícios sob apuração estão o uso de helicópteros, estadias na chamada “Ilha da Paixão”. a compra de ingressos para shows da cantora Taylor Swift e a aquisição de um apartamento de luxo em Salvador.
Outro ponto central da investigação é a suspeita de que Jaques Wagner teria atuado em favor dos interesses do Banco Master no Congresso Nacional.
A PF apura, entre outras frentes, a participação do senador em articulações relacionadas a uma proposta de emenda à Constituição que alteraria regras do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), medida que poderia aliviar o balanço da instituição financeira.





