Integrantes da Unidade Militar de Emergências (UME) da Espanha e bombeiros da região de Castela e Leão combatem um incêndio em uma área florestal próxima ao bairro residencial de La Atalaya, em El Tiemblo, a 80 km a oeste de Madri, em 25 de julho de 2026, em meio aos incêndios florestais que já consumiram até 25 mil hectares.
CESAR MANSO/AFP
As condições extremas que ajudaram a alimentar os grandes incêndios registrados neste mês de julho na Espanha ficaram pelo menos 20 vezes mais prováveis por causa da mudança climática provocada pelo ser humano.
No sudoeste da França, a influência do aquecimento global ao menos dobrou a chance de um cenário semelhante, aponta uma análise da World Weather Attribution (WWA), uma rede internacional de cientistas que estuda a relação entre as mudanças climáticas e eventos meteorológicos extremos.
➡️ O estudo não investigou o que iniciou cada incêndio. Os pesquisadores avaliaram como a combinação de temperaturas elevadas, falta de chuva e ventos criou um ambiente favorável para que o fogo se espalhasse rapidamente e se tornasse mais difícil de controlar.
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No clima atual, condições com essa intensidade são esperadas, em média, uma vez a cada seis anos no centro da Espanha e uma vez a cada 20 anos no sudoeste francês.
Depois, uma primavera seca e um verão marcado por ondas de calor retiraram a umidade do solo e ressecaram plantas, gramíneas e arbustos.
Na França, sucessivas ondas de calor e a escassez de chuva também reduziram a umidade do solo e aumentaram o estresse sobre pinheiros e arbustos.
Os incêndios se aproximaram de regiões populosas e destinos turísticos, provocando grandes evacuações e espalhando fumaça por centenas de quilômetros.
Os pesquisadores analisaram os sete dias com as condições mais graves para incêndios em cada região.
Para isso, usaram um indicador que reúne calor, umidade, vento e o ressecamento da vegetação e mostra o grau de dificuldade para controlar um incêndio depois que ele começa.
A diretora do Centro Basco de Mudança Climática, María José Sanz, afirmou que os episódios registrados na França e na Espanha foram favorecidos tanto pelas condições climáticas quanto pela forma como as áreas florestais são administradas.
Segundo ela, o abandono de terras rurais também contribuiu para o acúmulo de vegetação em florestas, pastagens e áreas de mato.
“Esses incêndios vão passar a fazer parte da nossa realidade”, disse Sanz, em comentário divulgado pelo Science Media Centre España.
O tamanho e a gravidade de um incêndio também dependem do relevo, da quantidade e da distribuição da vegetação, da origem do fogo, da ocupação humana e da rapidez da resposta das equipes de emergência.
Eduardo Rojas Briales, professor da Universidade Politécnica de Valência, afirmou que uma das limitações do trabalho é “restringir-se às análises meteorológicas sem considerar as condições concretas do incêndio, da área atingida e da operação de combate”.
Já Víctor Riera, da Fundação Pau Costa, avaliou que o estudo usou métodos consolidados e funciona como um alerta diante de episódios que ocorreram ao mesmo tempo e mais cedo do que o esperado na temporada de incêndios.
“O artigo é, acima de tudo, um chamado de atenção”, afirmou Riera.
A conclusão dos pesquisadores é que combater as chamas continuará sendo essencial, mas não será suficiente. Reduzir o risco exigirá manejo da vegetação, planejamento de cidades e áreas rurais, diversificação das florestas, sistemas de aviso e cooperação entre países. O estudo também afirma que limitar o agravamento futuro dependerá da redução rápida do uso de combustíveis fósseis.
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