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Mendonça autoriza PF a investigar suposto tráfico de influência de Lulinha na Dataprev

STF autoriza nova investigação contra Lulinha
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta sexta-feira (31) uma nova investigação da Polícia Federal (PF) contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por eventual atuação para beneficiar empresários em contratos da Dataprev.
A PF vai apurar se Lulinha cometeu os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e organização criminosa.

Como o g1 noticiou em janeiro, o lobista tentou fechar um contrato milionário com o Ministério da Saúde em 2024 e 2025 para vender medicamentos de canabidiol ao governo. O contrato não foi fechado.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que atua na defesa de Lulinha, afirmou considerar que a PF pediu o inquérito sobre atuação na área da saúde porque não encontrou nenhuma irregularidade envolvendo o filho do presidente na investigação das fraudes do INSS.
"Lulinha já demonstrou que não tem relação direta ou indireta com o INSS e não tem relação com os negócios da Roberta. A PF não achou nada no INSS e vai procurar em outro lugar. Isso é pesca probatória. Isso é grave", afirmou Carvalho.
O Ministério da Saúde afirmou que não tem nem nunca teve contrato com a World Cannabis ou com acionistas citados. "Dessa maneira, nunca fez nenhum repasse de recursos públicos a eles", disse a pasta.
Lulinha é suspeito de ter atuado para que o Careca fosse recebido no ministério.
O lobista havia contratado a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, para prospectar negócios de cannabis medicinal com o governo federal em favor da empresa World Cannabis, que pertencia ao Careca.
A defesa de Roberta nega irregularidades em seu contrato com o Careca e afirma que jamais repassou qualquer valor a Lulinha.
No início de 2025, o Careca do INSS foi recebido no Ministério da Saúde por Swedenberger Barbosa, o Berger, que era secretário-executivo — o número 2 da pasta.
Depois de sair do ministério, em 2025, Berger virou chefe do Gabinete Adjunto de Gestão Interna do Gabinete Pessoal do presidente da República.
A PF investiga possível tráfico de influência tanto no Ministério da Saúde como no gabinete presidencial.
Berger afirmou ao g1, em nota, que "a agenda [com o Careca] ocorreu conforme as atribuições da sua função à época, sem que tenha havido qualquer tipo de 'orientação' para a sua realização".
"Como não houve interesse do ministério em adquirir qualquer produto ou serviço da empresa, o encontro não teve nenhum desdobramento, o que evidencia sua condução técnica e afasta a tese de qualquer tipo de influência política", disse Berger em janeiro deste ano.
Em março passado, a defesa de Lulinha confirmou, em entrevista à GloboNews, que ele viajou para Portugal com o Careca do INSS em novembro de 2024.
A viagem foi para visitar uma fábrica de medicamentos de canabidiol, mas, segundo a defesa, não resultou em nenhum negócio entre Lulinha e o lobista.
"Fábio viajou com o Antônio Camilo, a convite do Antônio Camilo, então um empresário de sucesso no ramo farmacêutico, que ele conheceu através da sua amiga Roberta Luchsinger, a empresária Roberta. Nunca trabalhou com Antônio Camilo e essa viagem não rendeu, qualquer que tenha sido, contrato de forma direta ou indireta. Ele foi conhecer a extração de canabidiol, demonstrou uma curiosidade, foi convidado e aceitou o convite e viajou para Portugal", disse Carvalho.

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