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Dívida pública chega a 82% do PIB e atinge maior nível desde 2021

Relação entre dívida pública e tamanho da economia brasileira atinge maior nível desde a pandemia
A relação entre a dívida pública e o tamanho da economia brasileira atingiu o maior percentual desde a pandemia de Covid-19. Segundo dados divulgados nesta sexta-feira (31) pelo Banco Central, a dívida bruta do setor público consolidado chegou a 82% do Produto Interno Bruto (PIB) em junho.
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O valor reúne os débitos do governo federal, incluindo a Previdência Social, estados, municípios e empresas estatais. No mês passado, a dívida passou de R$ 10,6 trilhões para R$ 10,8 trilhões.
Esse é o maior nível desde abril de 2021, quando a dívida equivalia a 82,6% do PIB. Desde o início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o endividamento aumentou cerca de 10 pontos percentuais.
O percentual atual se aproxima do maior patamar registrado na série histórica, em outubro de 2020, durante a pandemia, quando a dívida chegou a 87,6% do PIB. Naquele período, os gastos aumentaram para reduzir os efeitos da crise sanitária sobre a economia.
Como a dívida pública cresce
O governo aumenta o endividamento quando a arrecadação com impostos não é suficiente para pagar as despesas e realizar investimentos. Com uma dívida maior, também cresce o gasto com juros.
Para o ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyola, o aumento da dívida prejudica investimentos públicos e privados.
"Uma das consequências do elevado endividamento são as altas taxas de juros. E as altas taxas de juros evidentemente atrapalham, impedem investimentos no setor privado. Então, o governo funciona nesse caso como se fosse uma espécie de aspirador de pó. Ele aspira todos os recursos da sociedade para financiar o seu endividamento, deixando pouco para que os agentes privados possam financiar seus investimentos", afirmou Loyola, que é sócio-diretor da Tendências Consultoria.
Dívida pública chega a 82% do PIB e atinge maior nível desde 2021.
Reprodução/Jornal Nacional
O pesquisador da Fundação Getulio Vargas (FGV) Samuel Pessoa também destacou a necessidade de controlar o crescimento das despesas.
"Se o gasto público cresce mais do que a economia, a receita de impostos também terá que crescer mais do que a economia. E para a receita de impostos crescer mais do que a economia, eu tenho que criar novos impostos todos os anos e a sociedade não quer pagar mais impostos. Então, esse que é o impasse", disse.
O ministro da Fazenda, Dário Durigan, afirmou que o governo precisa reduzir gastos para permitir a queda dos juros, mas não apresentou medidas específicas.
"O que está no controle do Estado é ir melhorando a situação fiscal para que a gente dê condição enquanto Estado para uma redução dessa taxa de juros a médio prazo", declarou.
Déficit das estatais
O Banco Central também divulgou nesta sexta-feira o resultado das contas das empresas estatais no primeiro semestre. O déficit chegou a R$ 7,8 bilhões, o pior resultado desde 2002.
Segundo o Tesouro Nacional, até maio, apenas o déficit dos Correios passou de R$ 4 bilhões.
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O economista André Perfeito afirmou que o resultado preocupa e defendeu mudanças nas empresas que apresentam déficits recorrentes.
"A minha percepção é que estatais cronicamente deficitárias mostram que o serviço que ela está prestando ou não está sendo bem feito ou não cabe mais no conjunto da sociedade ou no tecido econômico. Teria que privatizá-las o mais rápido possível. Para gerar um caixa, mas principalmente, não é nem o dinheiro que você vai levantar, é evitar continuar perdendo dinheiro, porque o custo disso é disseminado para todos", afirmou.

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