Exclusivo: novas imagens de câmeras corporais mostram outro ângulo de policiais militares atirando em jovem rendido
O julgamento dos dois policiais militares acusados de matar Igor Oliveira de Moraes Santos, de 24 anos, em Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, foi retomado na tarde desta quinta-feira (30). A defesa chegou a usar fotos do príncipe William para sustentar que uma mesma cena pode ser interpretada de maneiras diferentes conforme o ângulo em que é registrada.
Por volta das 15h30, durante os debates, advogados dos PMs exibiram aos jurados fotografias do príncipe britânico para sustentar que uma mesma cena pode ser interpretada de maneiras diferentes conforme o ângulo em que é registrada.
Em uma fotografia, registrada lateralmente, o gesto dá a impressão de que William faz um sinal obsceno com o dedo médio. Em imagens feitas de outro ângulo, porém, fica claro que ele apenas erguia três dedos para indicar o nascimento do terceiro filho.
Os advogados mostraram uma sequência de imagens feitas em 2018, quando o príncipe deixava o Hospital St. Mary's, em Londres, após o nascimento de seu terceiro filho.
Principe William
Chris Jackson/Pool/Reuters
A comparação foi usada para defender que as imagens das câmeras corporais dos policiais também poderiam induzir a interpretações equivocadas.
No julgamento, porém, os jurados já assistiram a dois vídeos gravados por câmeras corporais diferentes, com ângulos distintos, que registram o momento em que Igor Oliveira de Moraes Santos é baleado. Nas duas gravações, o jovem aparece desarmado e cumprindo as ordens dos policiais antes dos disparos, segundo sustenta a acusação.
Em imagens obtidas pelo g1 também é possível observar a ação.
A previsão é que o julgamento seja concluído ainda nesta quinta-feira. Os cabos Renato Torquatto da Cruz e Robson Noguchi de Lima são julgados pela morte do jovem durante uma operação da Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas (Rocam), no ano passado, em Paraisópolis. Segundo a acusação, o jovem foi executado mesmo após se render aos policiais. A defesa sustenta que a ação foi legítima (leia mais abaixo).
O Ministério Público (MP) afirma que as imagens comprovam uma execução. Já a defesa argumenta que os vídeos não mostram toda a dinâmica da ocorrência e que o contexto da ação policial precisa ser considerado pelos jurados.
Dois policiais — os cabos Renato Torquatto da Cruz e Robson Noguchi de Lima — respondem presos pelo crime de homicídio qualificado por motivo torpe e pelo uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. Segundo a acusação, foram eles que atiraram em Igor.
"A hipótese acusatória não se sustenta. Imagens da COP são apenas um recorte acerca dos fatos e estão sujeitas a diversos vieses cognitivos", disse Wanderley sobre a defesa de seus clientes. "A defesa demonstrará a legitimidade na atuação policial."
'Vieram na maldade', diz pai
Área próximo à favela de Paraisópolis em que grupos atacaram motoristas na noite de quinta-feira (10)
Reprodução/TV Globo
"A gente busca justiça porque entendemos que foi uma execução. Não somos contra a PM. Esses PMs, no caso, acabaram manchando nome da corporação porque se excederam", disse o advogado Jonatha Carvalho, que atua no caso ao lado da advogada Gabriela Amoras Silva.
Eles defendem os interesses da família de Igor e atuam como assistentes da acusação.
"O que mais me dói é que meu filho ficou agonizando e deixaram-no morrer de olhos e boca abertos", disse Magdo de Moraes Santos, pai de Igor, ao g1. "Vieram na maldade."
Igor deixou uma filha de 5 anos.





