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Casal que inspirou nome de chafariz em praça no interior de SP morreu com 20 dias de diferença: ‘Amor que transbordava’, diz neta

“O meu avô sempre foi apaixonado por ela, com muito carinho, beijo nas mãos. Ele segurava a mão dela durante as refeições. Minha avó era um pouco mais tímida nessas demonstrações, mas mesmo assim, sempre foi o grande amor da vida dela”, compartilha Eni.
Para Eni, a história dos avós é um exemplo de amor e companheirismo. Ela conta que, apesar das dificuldades e das personalidades diferentes, os dois construíram uma relação baseada no respeito, na dedicação e na cumplicidade.
“Não eram só um casal. Em convívio, era um amor que transbordava. É o amor como deve ser, com respeito, dedicação, paciência, de mãos dadas e olho no olho”, disse.
Terezinha e Augusto compartilharam a vida por mais de 50 anos e participavam da Paróquia São Roque
Arquivo pessoal/Eni Angela de Oliveira
⛲ A fonte do amor
De acordo com a Câmara Municipal de Boituva, a praça onde está localizada a fonte passou por diversas intervenções urbanísticas ao longo dos anos. No local, havia um chafariz antigo, que acabou sendo soterrado durante as obras, o que levou à construção de uma nova estrutura.
O atual chafariz foi erguido durante um dos mandatos da ex-prefeita Assunta Labronici. Embora seja um dos principais cartões-postais da Praça Coronel Antônio Franco e um dos pontos mais conhecidos da cidade, a obra permaneceu por anos sem uma denominação oficial.
A ideia de dar um nome ao novo monumento surgiu durante os preparativos para o centenário da Paróquia São Roque.

“Anos depois, durante as preparações para as comemorações do centenário da Paróquia São Roque, surgiu a proposta de atribuir um nome à fonte, transformando-a também em um espaço de preservação da memória da comunidade”, explicou a Câmara.
Chafariz está instalado na praça que fica em frente à Igreja São Roque, padroeiro de Boituva (SP). Foi na igreja que o casal se conheceu
Câmara Municipal de Boituva/Divulgação
Segundo a Câmara Municipal, a iniciativa ganhou força após familiares procurarem um vereador para manifestar o desejo de homenagear o casal, conhecido pela participação ativa na Paróquia São Roque e pela atuação na comunidade boituvense.
A ideia partiu da neta, Eni. Depois de descobrir que espaços públicos da cidade podiam receber nomes de moradores, ela decidiu buscar uma forma de eternizar a memória dos avós. Mesmo morando no Rio de Janeiro desde o falecimento do casal, mobilizou familiares e o Poder Legislativo para viabilizar a homenagem.
“Perguntei para um amigo e ele me indicou um vereador. Não tínhamos nenhuma proximidade. Eu entrei em contato por rede social e quando perguntei a ele sobre a possibilidade de fazer uma homenagem aos meus avós, respondeu que a ideia era ótima e ia protocolar o pedido”, revela a neta.
A fonte fica localizada na Praça Coronel Antônio Franco em Boituva
Arquivo pessoal/Eni Angela de Oliveira
Conforme a Câmara, após o pedido, o vereador se reuniu com o pároco da época, o padre Edson Dáros, e apresentou a proposta, que rapidamente foi aceita pelo líder religioso.
“Viram uma oportunidade na inauguração da fonte, que já tinha data prevista, acontecendo na comemoração do centenário da Igreja Matriz. O padre achou justa a homenagem em dar o nome da fonte aos meus avós”, conta Eni.
Em 24 de setembro de 2015, o então prefeito Edson José Marcusso sancionou a Lei Municipal nº 2.535/2015, que denominou a fonte da Praça Coronel Antônio Franco como "Seu Augusto Mescolotto e Dona Terezinha de Souza Mescolotto".
Cinco meses depois, a nova fonte foi inaugurada com o nome do casal. Na ocasião, a família se reuniu para celebrar a homenagem, que eternizou a história de amor dos dois em um dos principais cartões-postais de Boituva.
A fonte foi inaugurada um ano depois da lei ser sancionada na Prefeitura de Boituva
Arquivo pessoal/Eni Angela de Oliveira
O diácono Almir Melaré, da Paróquia São Roque, afirma que Augusto e Terezinha eram conhecidos pela dedicação à comunidade católica e pelos serviços prestados à igreja ao longo de muitos anos.
“Era um casal de extremo amor e um respeito pelo outro. Ele dedicou a vida dele, mais de 15 anos, só como sacristão da igreja. Eles sempre foram muitos zelosos com os objetos da igreja. O matrimônio daquele casal era um reconhecimento da comunidade católica, eles viviam o sacramento do amor."
Para Almir, a morte dos dois com poucos dias de diferença também foi uma grande surpresa e causou comoção na comunidade católica.
“Ela faleceu primeiro e depois veio ele. Eles eram unha e carne. E ele estava bem, aparentemente. Então, foi uma tristeza que tomou conta dele. Eu acredito que ele não suportou a ausência dela”, comentou Almir.
Eni afirma que a homenagem trouxe à família uma sensação de dever cumprido. Para ela, os avós mereciam ter a história reconhecida e eternizada por meio de diferentes formas de representação e valorização.
“Representou o reconhecimento a dois cidadãos que fizeram tanto pela sociedade e foram homenageados de forma grandiosa. O meu avô acharia um absurdo, pois sempre foi discreto. Minha avó ficaria orgulhosa, faria um vestido novo e passaria perfume para sair na foto”, concluiu.

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