O delegado da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) Henry Galdino, diretor da Divisão de Falsificação e Defraudações (Difraudes/Corf/DPE) e responsável pela investigação da fintech Naskar Gestão de Ativos Ltda. que teria sumido com quase R$ 1 bilhão dos seus investidores, disse que o golpe foi planejado.
Em uma entrevista exclusiva ao Metrópoles, Galdino afirmou que, até o momento, não dá para afirmar se o esquema funcionava como uma pirâmide financeira.
“O que dá para afirmar é que a paralisação repentina (dos pagamento) foi planejada, não foi um mero desacordo comercial entre os clientes e a Naskar. Houve um planejamento, em razão de alguns motivos que nós ainda estamos apurando”, comentou.
Segundo o delegado, as investigações apontaram que o planejamento para o “sumiço do dinheiro” ocorreu há, pelo menos, um ano.
A Naskar Gestão de Ativos é uma fintech com 13 anos de atuação. A empresa operava captando recursos de clientes com promessa de retorno de 2% ao mês, valor muito acima do operado pelo mercado;
Por exemplo, se uma pessoa investisse R$ 1 milhão, receberia R$ 20 mil mensais pagos pela fintech, enquanto a empresa se comprometeria a cuidar do patrimônio investido;
Apesar de o valor prometido ser bem maior do que o praticado por bancos tradicionais, a Naskar atuou durante os 13 anos de existência sem que clientes tivessem problemas. Até que o pagamento mensal de rendimentos, que era previsto para 4 de maio, não foi realizado;
Os clientes, então, buscaram contato com os sócios para entender o que estava ocorrendo, mas nenhum respondeu. Sem respostas, os investidores logo foram ao aplicativo da instituição para verificar se o patrimônio investido ainda estava ali. O app, porém, deixou de funcionar em 6 de maio e ainda não voltou ao ar;
A Naskar chegou a ter sede no DF e, mais recentemente, tinha endereço fixo em São Paulo (SP). Contudo, mudou o local fixo sem informar os clientes, conforme noticiou o Metrópoles em 9 de maio;
Cinco dias depois, a Naskar anunciou que uma empresa norte-americana chamada Azara Capital teria comprado a fintech brasileira por R$ 1,2 bilhão. A Azara supostamente ficaria responsável por ressarcir os clientes, movimento que começaria a ocorrer a partir de 18 de maio, segundo ambas as empresas. Nada disso ocorreu;
A empresa, no entanto, apresentou várias inconsistências: o site não informa nomes de presidente, diretores ou de qualquer pessoa; o endereço físico informado é de Miami, na Flórida, mas o Google Maps aponta a localização informada para o Ocean Bank, banco comercial independente; o perfil @azara.capital no Instagram foi criado há apenas três meses; entre outras questões;
Em maio, Douglas Silva de Oliveira publicou um vídeo no qual se comprometeu a pagar os valores devidos. Até o momento, porém, os clientes da Naskar não obtiveram retornos concretos sobre quando (e se) receberão os valores de volta.





