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MP pede bloqueio de R$ 1 bilhão em bens de ex-gestores e empresas por suposto esquema de fraude na iluminação pública de SP

Av. 23 de Maio foi o primeiro ponto na cidade de São Paulo a ter iluminação publica de LED Divulgação/Unicoba
O Ministério Público de São Paulo protocolou uma ação civil pública em que pede o bloqueio de R$ 1,026 bilhão em bens de ex-gestores e empresas investigados por supostas fraudes na parceria público-privada da iluminação pública da capital. A ação também solicita o afastamento do presidente da SP Regula e a anulação do contrato.
Após a assinatura do contrato em 2018, a gestão da PPP passou para a SP Regula em 2022.
Segundo o MP, o prejuízo direto aos cofres públicos chega a pelo menos R$ 513,3 milhões. Na ação, porém, o valor atribuído à causa é de R$ 10,76 bilhões.
Os alvos da ação judicial são: o atual presidente da SP Regula, João Manoel da Costa Neto, o ex-secretário Marcos Rodrigues Penido, a ex-diretora do Ilume Denise Maria Ayres de Abreu e as empresas FM Rodrigues e CLD Construtora, que formaram a Ilumina SP.
O MP solicita o bloqueio de bens deles no valor de R$ 1.026.618.672,72 e o afastamento imediato de João Manoel da Costa Neto de suas funções. Requer ainda a anulação do contrato e do aditamento semafórico em 60 dias para estancar o prejuízo ao erário.

Investigações revelaram que Denise Maria Ayres de Abreu, diretora do Ilume entre 1º de janeiro de 2017 e 28 de março de 2018, recebia "mesadas" da FM Rodrigues para beneficiar a empresa.

Segundo o MP, gravações de áudio de 21 de março de 2017 e 4 de dezembro de 2017 reforçam a denúncia de pagamento de propina.
Gravação revela conversa de Denise Abreu com diretor de manutenção do Ilume
TV Globo/Reprodução
Assinatura de contrato e expansão ilegal
Mesmo sob recomendações contrárias do MP enviadas em 27 de março de 2017 e 27 de março de 2018, o então secretário Marcos Rodrigues Penido assinou o contrato em 8 de março de 2018, no valor de R$ 6.936.840.000.
Após a assinatura do contrato em 2018, a gestão da PPP passou para a SP Regula em 2022. Em 31 de agosto de 2022, foi assinado o aditamento nº 5, que incluiu a rede semafórica no contrato de iluminação sem licitação, gerando um acréscimo de R$ 3.826.875.374,04.
Descumprimento de decisões judiciais
Gravações reforçam suspeitas sobre processo de licitação da PPP da Iluminação
O atual presidente da SP Regula, João Manoel da Costa Neto, nomeado em 16 de fevereiro de 2023, é acusado de ignorar decisões transitadas em julgado do STJ em 16 de maio de 2023 e do STF em 18 de dezembro de 2024, que ordenavam a retomada da licitação original.
A situação se agravou com o depoimento do engenheiro Marcos Augusto Alves Garcia, diretor da Diretoria Colegiada da SP Regula, em 10 de julho de 2026.

Conforme relatado, até mesmo um dos diretores da atual Diretoria Colegiada da SP Regula lançou suspeitas gravíssimas contra a própria autarquia, que é chefiada pelo demandado. Além disso, foi denunciado o desaparecimento de um volume físico do processo administrativo.

Pelos mesmos motivos, o MP pede que o presidente seja impedido de entrar no prédio da SP Regula, evitando, assim, que exerça pressão sobre os demais conselheiros e funcionários da Agência Municipal.
A ação ainda será analisada pela Justiça. Até o momento, nenhum dos citados foi condenado, e caberá ao Judiciário decidir se acolhe os pedidos formulados pelo Ministério Público.
Rua na Vila Brasilândia, na zona norte de São Paulo, após receber iluminação de LED. Ao todo 9,4 mil pontos de iluminação serão instaladas no projeto 'LED nos bairros', que já beneficiou Heliópolis e Jardim Monte Azul
Renato Ribeiro Silva/Futura Press/Estadão Conteúdo
TCM recomenda que Prefeitura anule PPP da iluminação após denúncias

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