Geraldo José Rodrigues Alckmin Filho tem 73 anos de idade e 54 de política. Já foi vereador, prefeito, deputado estadual, deputado federal, vice-governador, governador e ministro – função que acumulou com a de vice-presidente no terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Nascido em Pindamonhangaba (SP), em 7 de novembro de 1952, o vice-presidente é formado em medicina pela Universidade de Taubaté, com especialização em anestesiologia.
O PSB, partido ao qual Alckmin se filiou em 2022, confirmou nesta quarta-feira (29), durante convenção nacional realizada em Brasília, que ele será candidato à reeleição na chapa encabeçada por Lula.
A confirmação da candidatura a vice-presidente foi um ato meramente protocolar, uma vez que, quatro meses atrás, o presidente já havia anunciado que a parceria "lula com chuchu", vitoriosa em 2022, seria repetida nas eleições de outubro deste ano.
Também foi uma demonstração de que o vice-presidente – que foi um dos principais quadros do PSDB por mais de três décadas, arquirrival de Lula nas eleições de 2006 e um crítico das gestões do PT no passado – superou a desconfiança da grande maioria dos petistas.
O político de discursos curtos, intercalados com piadas repetidas, de estilo considerado "insosso" – o que lhe rendeu o apelido "picolé de chuchu" – passou a ser chamado de "companheiro Alckmin" por Lula.
Utilizando meias divertidas, o vice-presidente – que chegou a dar dicas de saúde na televisão após um tímido quarto lugar na eleição presidencial de 2018 – ganhou papel de destaque no terceiro mandato de Lula.
Ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Alckmin foi um articulador importante na resposta do governo Lula ao tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (leia mais aqui).
Geraldo Alckmin, vice-presidente da República
Cadu Gomes/VPR
Essa habilidade para a negociação com o setor produtivo foi uma das razões que fizeram Lula buscar, em 2022, uma aliança com o ex-adversário, em uma estratégia que ajudou o petista a conquistar votos de eleitores de centro e, também, no estado de São Paulo, onde Alckmin construiu a carreira política.
Na ocasião, Fernando Haddad (PT) e Márcio França (PSB) foram os principais responsáveis pela aproximação inusitada, que venceu a resistência de uma ala petista.
Semanas após a filiação de Alckmin ao PSB, em 2022, ele e Lula ouviram juntos, em um evento do partido, o hino da Internacional Socialista, um movimento de partidos de esquerda. À época, o ex-tucano, com trajetória no conservadorismo, disse ter ficado à vontade com o episódio.
Com a confirmação de Alckmin na chapa, Lula repete uma fórmula que foi bem-sucedida nas eleições de 2002 e 2006, pleitos em que o empresário José Alencar foi o candidato a vice. Foto de outubro de 2008 mostra Geraldo Alckmin, acompanhado da esposa, Lu Alckmin, da filha Sophia, e do filho Thomaz Alckmin, que faleceu em 2015.
"O último cidadão que conversei, falou tanta teoria bonita. Eu perguntei se já tinha colocado alguma em prática, e ele disse que não. Ali bati o martelo que Alckmin seria o ministro", lembrou Lula em uma cerimônia.
Alckmin ganhou protagonismo no ano passado, após as ofensivas comerciais dos Estados Unidos contra o Brasil. O vice-presidente assumiu a coordenação da resposta ao tarifaço de Trump – as diversas taxas impostas sobre as exportações brasileiras.
🔎 Tarifaço é o nome dado às tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros durante o governo Donald Trump. Em 2026, uma sobretaxa de 25% passou a incidir sobre parte das exportações nacionais. Em alguns setores, foi acrescida uma taxa de 12,5%.
O vice-presidente foi o responsável por fazer a ponte entre o governo e os setores impactados pela taxação imposta pelos Estados Unidos.
Como titular do MDIC, Alckmin também lançou um pacote de políticas voltadas ao fortalecimento do setor industrial, como: a Nova Indústria Brasil (NIB), um programa de linhas de crédito para a modernização da produção nacional;
o Programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover), voltado para a descarbonização automotiva e atração de aportes na fabricação de veículos elétricos e híbridos; e
um programa temporário de desconto para veículos populares (2023), que concedeu abatimentos diretos em carros de passeio, caminhões e ônibus para aquecer o mercado interno e renovar frotas rodoviárias no país.
Em 2023 e em 2024, Alckmin também atuou na elaboração de medidas voltadas ao setor industrial para reduzir os impactos econômicos das fortes chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul. O vice-presidente esteve no estado representando Lula e articulou a liberação de uma verba emergencial para o estado.
Lula e Alckmin em cerimônia
Ricardo Stuckert/PR
'Taxa das blusinhas'
O vice-presidente também se envolveu no debate sobre a chamada "taxa das blusinhas" — imposto que era cobrado sobre compras internacionais de baixo valor feitas pela internet.
Alckmin defendeu a cobrança do tributo e afirmou ser necessária para a preservação de empregos. No entanto, a medida é criticada pelo presidente Lula e outros ministros.
Diante do ano eleitoral e da queda de braço criada na discussão, o presidente Lula decidiu revogar o imposto federal.
Declarações e gestos ao longo do mandato
Em 2025, Alckmin classificou como "lamentável" a posse de Nicolás Maduro – que já foi um aliado próximo de Lula – como presidente da Venezuela. Em outra oportunidade, em abril de 2026, ao se referir a Flávio Bolsonaro, disse "quem defende ditadura não devia nem ser candidato".
Outro episódio de destaque foi a devolução de presentes que recebeu da Arábia Saudita, por recomendação da Receita Federal. Na época, o ex-presidente Jair Bolsonaro era investigado por ter recebido joias e outros objetos de valor da Arábia Saudita sem respeitar os trâmites legais.
Em alguns momentos, Alckmin também atuou como médico, como na vez em que prestou socorro a um homem durante um evento político em Manaus em 2024. No ano anterior, chegou a vacinar Lula em um evento sobre a Campanha Nacional de Imunização.
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Carreira política
Seu primeiro mandato foi como vereador pelo MDB em Pindamonhangaba (1972-1976), que abriu o caminho de uma carreira política que ascendeu rapidamente. Logo na estreia, Alckmin assumiu a presidência da Câmara dos Vereadores.
Na eleição seguinte, foi eleito prefeito (1976-1982), tomando posse com apenas 24 anos, o mais jovem na chefia do Executivo na história da cidade.
Foi também deputado estadual (1983-1987) e deputado federal (1987-1995). Na Câmara dos Deputados, foi colega de Lula e atuou como constituinte — como são chamados os parlamentares que integraram a Assembleia Nacional Constituinte responsável por redigir a Constituição de 1988.
Na Câmara, dedicou-se a projetos ligados à saúde e à Previdência Social. Foi integrante da Comissão de Ordem Social e da Subcomissão de Saúde, Seguridade e do Meio Ambiente.
Pelo PSDB, partido que ajudou a fundar em 1988 e ao qual foi filiado por 33 anos, Alckmin também chegou ao mandato de vice-governador de São Paulo (1995-2001) na gestão Mario Covas.
No Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, ganhou notoriedade ao comandar o estado por 14 anos. Assumiu a função pela primeira vez em 2001, com a morte de Covas, ficando até 2006. Voltou a governar o estado de 2011 até 2018. É o político que por mais tempo chefiou o Executivo de São Paulo desde a redemocratização.
Suas gestões em São Paulo enfrentaram críticas e denúncias sobre contratos estaduais, além de episódios marcantes como a crise hídrica no estado e paralisações do funcionalismo público.
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No âmbito da Justiça, Alckmin chegou a ser denunciado pelo Ministério Público de São Paulo por caixa dois, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. As investigações basearam-se no depoimento de delatores, que afirmaram ter repassado recursos não declarados às campanhas do tucano ao governo de São Paulo em 2010 e 2014.
À época das denúncias, a defesa de Alckmin negou qualquer irregularidade ou ato de corrupção, sustentando que suas doações de campanha foram realizadas dentro da lei e que a vida pública do ex-governador sempre foi pautada pela ética e retidão.
Alckmin já disputou a Presidência da República duas vezes. Em 2006, quando perdeu no 2º turno para o atual presidente Lula, e, em 2018, quando ficou na quarta colocação — atrás do ex-presidente Jair Bolsonaro, do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad e do ex-governador do Ceará Ciro Gomes.





