A busca pelo eleitorado feminino e a pauta da segurança pública se uniram e viraram ponto de atenção entre os presidenciáveis da eleição deste ano. Para conquistar o voto das mulheres, que são maioria no eleitorado brasileiro, os candidatos apostam em propostas de combate ao feminicídio e a violência doméstica — crimes que continuam aumentando no país.
Segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na semana passada, o Brasil registrou 1.571 vítimas de feminicídio em 2025, o maior número da série histórica. Esse total representa um crescimento de 4% em relação a 2024 e corresponde a uma taxa de 1,4 feminicídio para cada 100 mil mulheres.
A pesquisa BTG/Nexus divulgada dessa segunda-feira (27/7) mostrou que a segurança pública é o principal problema do país, segundo os entrevistados. Para 30% dos entrevistados, o aumento da criminalidade e da violência é o que gera mais impacto no dia a dia, superando até mesmo o tema da saúde pública, que pontuou 25% no levantamento.
Em abril, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pré-candidato à reeleição, sancionou três leis com o objetivo de intensificar o combate à violência contra as mulheres no país. O pacote faz parte de uma iniciativa do Executivo, do Legislativo e do Judiciário em resposta ao número recorde desses crimes no último ano.
Em pronunciamentos recentes, o petista também defendeu uma luta coletiva de combate à violência doméstica e ressaltou que a primeira-dama, Janja da Silva, cobrou uma “luta mais dura” sobre casos de agressão contra mulheres.
O presidente mantém a preferência do voto feminino, segundo das pesquisas. O mais recente levantamento Datafolha, divulgado em 24 de julho, indica que Lula tem 41% entre as eleitoras, contra 30% de Flávio Bolsonaro (PL), no primeiro turno.
Essa é uma das principais preocupações da equipe do filho mais velho de Jair Bolsonaro (PL), tendo em vista que o ex-presidente enfrentou dificuldades com o eleitorado feminino nas eleições de 2018 e 2022.
O candidato do Novo, Romeu Zema, defendeu, em entrevistas, o endurecimento das punições para crimes de feminicídio, incluindo a adoção de castração química e pena mínima de 30 anos de prisão sem direito a benefícios.
O ex-governador de Minas Gerais, no entanto, foi alvo de críticas, em 2020, durante o lançamento do MG Mulher, programa de combate à violência doméstica desenvolvido pela Polícia Civil de MG. Na ocasião, ele disse que a opressão contra a mulher é “meio que como um instinto natural do ser humano”.
O que defendem os candidatos
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — Durante o mandato, sancionou leis de combate ao feminicídio. Segundo o petista, o enfrentamento da violência contra a mulher é prioridade e cobrança da primeira-dama Janja.
Flávio Bolsonaro (PL) — Diz que as mulheres eram protegidas no governo Bolsonaro e defendeu tolerância zero contra agressores, além de propor maior agilidade em medidas protetivas.
Renan Santos (Missão) —Defende aumento das penas de crimes cometidos contra as mulheres.
Ronaldo Caiado (PSD) — Propõe a transferência de bens dos agressores para as vítimas de violência doméstica.
Romeu Zema (Novo) — Sugeriu o endurecimento das punições para crimes de feminicídio, incluindo a adoção de castração química e pena mínima de 30 anos de prisão.
Augusto Cury (Avante) — Propõe o uso de “drones com sirene” contra feminicídio. O mecanismo seria ativado por um “botão de pânico”, e chegaria na ocorrência antes das viaturas para coibir agressores.
O eleitorado feminino é maioria dos brasileiros que votam neste ano, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), divulgados em 20 de julho. Ao todo, 83.877.126 mulheres estarão aptas a votar — número que corresponde a 52,84% do total nacional.
O crescimento foi de 1.503.962 eleitoras – 1,83% em relação ao último pleito geral, de 2022.





