Após 30 anos, vítimas do acidente com césio-137 dizem sofrer com a falta de apoio médico
O irmão de Leide das Neves Ferreira, a menina que morreu após o acidente com o Césio-137, em 1987, em Goiânia, sofreu com depressão e outros problemas de saúde após o caso, de acordo com o presidente da Associação das Vítimas do Césio-137, Marcelo Santos Neves. Lucimar das Neves Ferreira foi encontrado morto na casa onde morava com a companheira, em Abadia de Goiás, na Região Metropolitana de Goiânia.
Segundo Marcelo, Lucimar tinha depressão profunda e traumas relacionados ao acidente. Quando a tragédia aconteceu, ele tinha 14 anos.
A mãe dele, Lourdes das Neves Ferreira, postou uma foto do filho em abril deste ano e, na legenda, contou brevemente sobre o acidente. "Esse é meu filho Lucimar. Na época do acidente do Césio-137, estava com 14 anos. Amo você, meu filho", escreveu na publicação.
Relembre o acidente
O acidente teve início em 13 de setembro de 1987, quando Wagner Mota Pereira e Roberto Santos Alves retiraram um aparelho de radioterapia abandonado nas ruínas do Instituto Goiano de Radioterapia (IGR), no Centro de Goiânia. Eles levaram a peça para a casa de Roberto, na Rua 57, onde removeram o lacre da cápsula que continha Césio-137 na forma de pó, semelhante ao sal de cozinha, mas que emitia um intenso brilho azul no escuro.
Em 18 de setembro, a peça foi vendida para Devair Alves Ferreira, dono de um ferro-velho, que ficou encantado com a luminosidade e distribuiu fragmentos da substância para familiares e amigos. Sem saber do perigo, as pessoas manipulavam o material, o que causou sintomas imediatos como náuseas, tonturas, vômitos e diarreia.
Um dos símbolos da tragédia, Leide das Neves era filha de Ivo Ferreira, irmão de Devair, e tinha apenas 6 anos quando brincou com o pó e ingeriu partículas, tendo sido a vítima mais afetada. Ela morreu em 23 de outubro de 1987 e foi enterrada em um caixão de chumbo de 700 quilos para conter a radiação.
A menina foi uma das quatro vítimas fatais diretas, que morreram entre quatro e cinco semanas após a exposição devido à Síndrome Aguda da Radiação (SAR). As outras três vítimas foram Maria Gabriela Ferreira, esposa de Devair; e Israel Batista dos Santos e Admilson Alves de Souza, ambos funcionários do ferro-velho.
De acordo com informações divulgadas pelo Governo de Goiás, na época, um monitoramento realizado no Estádio Olímpico avaliou mais de 112.800 pessoas, das quais 249 apresentaram algum grau de contaminação e 129 necessitaram de acompanhamento médico permanente.
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