Comprador da fintech Naskar Gestão de Ativos Ltda, o empresário Douglas Silva de Oliveira, 26 anos, disse que foi enganado pelos três sócios — presos na última semana — durante o processo de compra da fintech.
Veja:
8 imagensFechar modal.1 de 8Douglas Silva de Oliveira respondeu perguntas sobre a NaskarReprodução/redes sociais2 de 8Douglas Silva de Oliveira respondeu perguntas sobre a NaskarReprodução/redes sociais3 de 8Douglas Silva de Oliveira respondeu perguntas sobre a NaskarReprodução/redes sociais4 de 8Douglas Silva de Oliveira respondeu perguntas sobre a NaskarReprodução/redes sociais5 de 8Douglas Silva de Oliveira respondeu perguntas sobre a NaskarReprodução/redes sociais6 de 8Douglas Silva de Oliveira respondeu perguntas sobre a NaskarReprodução/redes sociais7 de 8Douglas Silva de Oliveira respondeu perguntas sobre a NaskarReprodução/redes sociais8 de 8Douglas Silva de Oliveira respondeu perguntas sobre a NaskarReprodução/redes sociais
Ele decidiu abrir uma caixa de perguntas no Instagram, para que seus seguidores pudessem enviar questionamentos sobre qualquer assunto. Obviamente, grande parte das perguntas estava relacionada à Naskar.
“Meu interesse sempre foi na 7Trust, desde o início. Todavia, fui arrastado para a Naskar como uma estratégia de golpe dos três sócios”, disse Douglas, ao ser indagado sobre o motivo de ter comprado a fintech.
Outro seguidor quis saber se havia ativos na empresa, quando ocorreu a compra. Douglas afirmou que a Naskar contava com R$ 57 milhões na Terra Investimentos, porém, o valor teria sido bloqueado “um dia após a nossa aquisição”.
A Naskar Gestão de Ativos é uma fintech com 13 anos de atuação. A empresa operava captando recursos de clientes com promessa de retorno de 2% ao mês, valor muito acima do operado pelo mercado;
Por exemplo, se uma pessoa investisse R$ 1 milhão, receberia R$ 20 mil mensais pagos pela fintech, enquanto a empresa se comprometeria a cuidar do patrimônio investido;
Apesar de o valor prometido ser bem maior do que o praticado por bancos tradicionais, a Naskar atuou durante os 13 anos de existência sem que clientes tivessem problemas. Até que o pagamento mensal de rendimentos, que era previsto para 4 de maio, não foi realizado;
Os clientes, então, buscaram contato com os sócios para entender o que estava ocorrendo, mas nenhum respondeu. Sem respostas, os investidores logo foram ao aplicativo da instituição para verificar se o patrimônio investido ainda estava ali. O app, porém, deixou de funcionar em 6 de maio e ainda não voltou ao ar;
A Naskar chegou a ter sede no DF e, mais recentemente, tinha endereço fixo em São Paulo (SP). Contudo, mudou o local fixo sem informar os clientes, conforme noticiou o Metrópoles em 9 de maio;
Cinco dias depois, a Naskar anunciou que uma empresa norte-americana chamada Azara Capital teria comprado a fintech brasileira por R$ 1,2 bilhão. A Azara supostamente ficaria responsável por ressarcir os clientes, movimento que começaria a ocorrer a partir de 18 de maio, segundo ambas as empresas. Nada disso ocorreu;
A empresa, no entanto, apresentou várias inconsistências: o site não informa nomes de presidente, diretores ou de qualquer pessoa; o endereço físico informado é de Miami, na Flórida, mas o Google Maps aponta a localização informada para o Ocean Bank, banco comercial independente; o perfil @azara.capital no Instagram foi criado há apenas três meses; entre outras questões;
Em maio, Douglas Silva de Oliveira publicou um vídeo no qual se comprometeu a pagar os valores devidos. Até o momento, porém, os clientes da Naskar não obtiveram retornos concretos sobre quando (e se) receberão os valores de volta.
Viagem a Dubai
Douglas também foi questionado sobre o motivo de ter viajado para Dubai em meio às investigações do prejuízo bilionário.
“Tenho negócios em quatro países, viajo constantemente, algo normal para minha realidade. Estava no Brasil até 15 dias atrás. Além do mais, toda minha equipe está à disposição da Justiça. Quem não deve, não teme”, garantiu.
Uma pergunta — provavelmente feita por algum cliente da Naskar — diz que os ex-sócios afirmaram que o dinheiro da empresa estaria “congelado” em operações. O empresário desmente: “Mentira deles. Me contaram a mesma história com documentos frios”.
Ele também respondeu que não é mais responsável pela Naskar, pontuando que a “responsabilidade moral, ética e jurídica é total dos três sócios”. Por fim, Douglas disse que o vídeo comentando tudo o que descobriu sobre a Naskar ainda será publicado.
Prisão e bloqueio
Rogério Vieira, José Maurício Volpato e Marcelo Liranco Arantes foram presos na quarta-feira (22/7) em São Paulo, durante uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), conforme revelou a coluna de Mirelle Pinheiro. O trio não resistiu durante o momento da abordagem e optou por ficar em silêncio durante o depoimento.
Além das prisões, a Justiça autorizou o bloqueio de contas ligadas à Naskar.
Veja quem e quais empresas tiveram as contas bloqueadas:
Jose Maurício Volpato (Maurício Jahu): ex-sócio da Naskar, é o rosto de maior projeção pública do grupo. Maurício é ex-jogador profissional de vôlei da Seleção Brasileira e atuou por 20 anos na imprensa como apresentador da ESPN Brasil;
Rogério Vieira: com perfil mais discreto, Rogério aparece em registros empresariais da Naskar e de outras empresas ligadas ao setor de soluções financeiras e participações;
Marcelo Liranco Arantes: ex-sócio da Naskar, atuava na retaguarda da administração e gestão da fintech e empresas ligadas ao grupo desde a formação da sociedade;
Douglas Silva de Oliveira Azara: surge como comprador da Naskar após o Metrópoles revelar o caso. Depois de promessas não cumpridas de que os clientes seriam pagos, repassou a responsabilidade da fintech para a avó;
Célia de Fatima Ferreira: avó de Douglas, a idosa assumiu o controle da Naskar em junho deste ano. Viúva e moradora de Uberlândia (MG), ela aparece como sócia de outras empresas ligadas ao neto;
Naskar Gestão de Ativos Ltda: acusada de fraudar R$ 900 milhões de investidores, é a principal empresa do caso em tela;
Celcoin Instituição de Pagamento S.A.: atuava como banco garantidor da Naskar;
Nexco Consultoria de Valores Mobiliários e Planejamento Financeiro Ltda: atuava como distribuidora e intermediária de investimentos da Naskar;
Family Office Daytona Administracao e Participacoes S S Ltda: fintech que tem Rogério Vieira como sócio-administrador, é apontada em decisões judiciais como parte de um esquema de confusão patrimonial e possível blindagem de bens ligada à Naskar;
Volpato Administração e Participações S/S Unipessoal Ltda: empresa ligada ao ex-jogador de vôlei Maurício Volpato;
7trust Finance Instituição de Pagamento S/A: funcionava como braço operacional de pagamentos para as operações da Naskar;
Next Holding Financeira Ltda: empresa que faz parte do grupo Naskar.





