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Primeiro motoclube feminino do Amapá transforma pilotagem em símbolo de independência

"Nosso nome é bem literal. O salto representa nossa feminilidade. Já a graxa lembra que, se a moto quebrar na estrada, a gente coloca a mão na massa e resolve", explica Any.
Compromisso, valores e disciplina
Entrar no Salto e Graxa exige mais do que paixão por motos. A candidata precisa ter Carteira Nacional de Habilitação (CNH), moto própria e passar por um processo de integração que pode durar meses.
Primeiro, participa de passeios e entrevistas. Depois, entra na fase chamada "aspira", que dura cerca de dois meses. Nesse período, aprende técnicas de pilotagem, formação de comboio e sinalização. Em seguida, passa para a fase "próspera", quando assume responsabilidades e representa o grupo em eventos.
As etapas seguintes são "meio escudo" e "escudada", quando a integrante recebe o colete completo e o símbolo do motoclube.
Para a arquiteta Dandara Pinheiro, de 30 anos, que ocupa a posição de meio escudo, o motoclube transformou a forma como pilota.
"Eu tinha muito medo e andava a quase 20 quilômetros por hora. Apesar de ter moto, só ganhei confiança quando entrei no clube. Os treinamentos, pilotar em grupo e ter uma rede de apoio fizeram toda a diferença", conta.

Além das técnicas de pilotagem, as integrantes recebem treinamento em frenagem, defesa pessoal, primeiros socorros e prevenção de acidentes com animais peçonhentos.
"Elas chegam como um diamante bruto, nosso trabalho é lapidar. Todas aprendem as técnicas para que o grupo viaje com o mesmo nível de segurança. A gente treina porque, se alguém se machucar, correr perigo ou a moto quebrar, ninguém vai sentar e esperar um homem ou um milagre", diz Any.
Muito além de um hobby
Para as integrantes do clube, pilotar vai além do lazer. Algumas definem a moto como forma de aliviar a rotina. Outras enxergam nela um estilo de vida baseado em amizade, apoio e confiança.
"Entrei no motoclube como uma válvula de escape. Eu precisava fugir de problemas pessoais e não encontrei nada que me ajudasse da mesma forma", conta a integrante Sangelys Pinheiro, de 29 anos.
Segundo Any, o Salto e Graxa se mantém ativo desde 2018 porque encontrou, nas estradas, algo maior do que um hobby. Os laços criados entre as integrantes são o principal combustível do grupo.
"Pilotar é sentir o vento no rosto, limpar a cabeça e viver a estrada. É sobre liberdade, mas também sobre o nosso orgulho em dividir o escudo e nossa honra em pilotar juntas. O Salto e Graxa virou um lugar de apoio, acolhimento e amizade", explica.
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