O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), lançou no domingo (26/7) sua candidatura à presidência da República, em São Paulo, maior colégio eleitoral do país.
O goiano se colocou como um candidato conservador, que não apresenta “surpresas” como Flávio Bolsonaro (PL). Por outro lado, o presidenciável do PSD comparou o aumento da dívida pública no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a “agiotagem”.
O discurso antipetista e “linha dura” na segurança pública com destaque às políticas de combate à violência contra a mulher atraem um eleitorado conservador, que se converteu ao bolsonarismo, mas sucumbiu a esse movimento principalmente após a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a escolha do primogênito para sucedê-lo.
“É um discurso que combina com a direita não-bolsonarista”, disse ao Metrópoles o deputado federal da bancada evangélica Otoni de Paula (PSD-RJ), um dos presentes na convenção do PSD, que oficializou a chapa de Caiado ao lado de Gilberto Kassab (PSD), presidente do partido e candidato a vice.
O parlamentar se classifica como um “bolsonarista arrependido”. Otoni foi atraído pela captação do conservadorismo pela família Bolsonaro e pela força do bolsonarismo no seu reduto eleitoral: a baixada fluminense.
O deputado evangélico se afastou dos Bolsonaro após ser atacado pelo fato de seu filho integrar a gestão de Eduardo Paes (PSD), que será adversário do bolsonarismo na disputa ao governo do Rio de Janeiro.
Veja os números de rejeição:
Flávio Bolsonaro (PL): 48%,
Lula (PT): 46%
Romeu Zema (Novo): 13%.
Ronaldo Caiado (PSD): 12%
Renan Santos (Missão): 12%
Cabo Daciolo (Mobiliza): 12%
Os dados são da pesquisa Datafolha apresentada na sexta-feira (24/7), com margem de erro de dois pontos para mais ou para menos
“Renan (Santos) deve atrair a juventude. O grande sucesso do Caiado é que é o único que pode vencer Lula no 2º turno”, analisa Otoni de Paula, reproduzindo o discurso que o presidenciável do PSD havia feito horas antes, na capital paulista.
Indagado na coletiva de imprensa se apoiaria Flávio no segundo turno, Ronaldo Caiado driblou a pergunta e disse que irá para a rodada decisiva das eleições.
Críticas nominais a Lula e apelidos para Flávio
O presidenciável do PSD não poupou críticas a Lula e a Flávio. No entanto, os ataques contra o presidente foram nominais, citando o petista.
Já, quando falava do filho de Jair Bolsonaro, embora deixasse claro sobre quem estava se falando, o candidato evitou citá-lo, e optou por chamá-lo por apelidos como “candidato kinder ovo”.
O “agiota” e o “kinder ovo”
No lançamento de sua candidatura, Caiado deu a alcunha de “agiota maior” do país para Lula. Já Flávio ganhou o apelido de “candidato kinder ovo”.
“A que ponto chegou o país hoje?”, questionou Caiado. “Um país endividado, sem saber o que fazer. Um país que foi induzido a tomar dinheiro emprestado e, daí a pouco, o agiota maior do Lula cobra uma taxa de 14% do cidadão brasileiro”, disse em referência à taxa de juros, definida pelo Banco Central.
O presidenciável do PSD também criticou o programa Desenrola, do governo federal, e afirmou que Lula faz “cortesia com o chapéu alheio”.
Já em relação a Flávio, Caiado usou o apelido “candidato Kinder Ovo” para se referir ao adversário e afirmou que o senador traz “uma surpresinha todo dia”.
O goiano disse também que a chegada do filho 01 de Bolsonaro ao segundo turno seria benéfica para Lula e mencionou a crise de imagem de Flávio por envolvimento com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
14 imagensFechar modal.1 de 14Ronaldo Caiado oficializa candidatura à PresidênciaDivulgação/PSD2 de 14Ronaldo Caiado oficializa candidatura à PresidênciaDivulgação/PSD3 de 14Ronaldo Caiado oficializa candidatura à PresidênciaDivulgação/PSD4 de 14Ronaldo Caiado oficializa candidatura à PresidênciaReprodução5 de 14Ronaldo Caiado oficializa candidatura à PresidênciaDivulgação/PSD6 de 14Ronaldo Caiado oficializa candidatura à PresidênciaReprodução7 de 14Ronaldo Caiado, ex-governador de GoiásKEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo8 de 14Ronaldo Caiado oficializa candidatura à PresidênciaReprodução9 de 14Ronaldo Caiado oficializa candidatura à PresidênciaDivulgação/PSD10 de 14Ronaldo Caiado oficializa candidatura à PresidênciaReprodução11 de 14Ronaldo Caiado e Gilberto Kassab em coletiva antes de serem oficializados como candidatos em 2026Divulgação/PSD12 de 14Ronaldo Caiado e Gilberto Kassab, nas convenções do PSD, em São PauloReprodução/PSD13 de 14Ronaldo Caiado vai disputar as eleições presidenciais pelo PSD em 2026Reprodução/PSD14 de 14Presidente do PSD, Gilberto Kassab fala nas convenções do partidoDivulgação/PSD
Principais pontos dos discursos
Ronaldo Caiado focou na “segurança pública” em um discurso voltado ao punitivismo. Para o tema, o goiano já tentou emplacar o primeiro slogan de campanha, afirmando que o Brasil iria sentir “a mão pesada de Caiado”.
Gilberto Kassab fez pouco caso da falta do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao evento. Há seis meses, Kassab integrava o governo paulista, mas o desembarque foi conflituoso com a saída do vice de Tarcísio, Felício Ramuth, do PSD, que se filiou ao MDB.
Caiado quis passar a impressão de um político experiente e tradicional, lembrando que foi candidato em 1989, primeira eleição pós-ditadura, quando competiu pela primeira vez contra Lula.
O único deputado estadual a discursar foi o ex-tucano e deputado estadual Barros Munhoz (PSD). O parlamentar é um decano dos tempos áureos do PSDB paulista.
Ao ironizar as “surpresinhas” de Flávio Bolsonaro (PL) no escândalo do Banco Master, Caiado sinalizou que irá se posicionar como um candidato capaz de dar segurança, estabilidade e previsibilidade à população.
A escolha por não citar Flávio pelo nome pode ter efeito duplo: não dar audiência a um candidato que disputa a mesma fatia do eleitorado e reduzir a artilharia petista, com cortes e vídeos dos ataques, numa eventual aliança no segundo turno.
O deslize ao falar que o povo baiano pode ser “alforriado” com sua eleição mostrou uma associação indelicada à escravidão e indicou para uma provável barreira geográfica da candidatura: conquistar votos no Nordeste.





