A Procuradoria Geral do Estado do Rio de Janeiro classificou o investimento de R$ 150 milhões do estado em um fundo que aportava quase exclusivamente na Ambipar como uma “cilada com dinheiro público“. O posicionamento aparece em petição da PGE-RJ em processo no qual o Rio conseguiu o bloqueio de R$ 132 milhões em ativos da Trustee, gestora deste fundo, o Texas I.
Entre junho e agosto de 2025, a Rioprevidência, que é o instituto de previdência do funcionalismo do estado do Rio de Janeiro, aportou R$ 150 milhões no fundo Texas I, que por sua vez investiu quase tudo em ações da Ambipar. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) investiga uma atuação coordenada entre o Banco Master, o investidor Nelson Tanure e o controlador da Ambipar, Tércio Borlenghi Júnior, para inflar artificialmente esses valores utilizando, entre outros, o fundo Texas I.
Depois de um ano, os papeis da Ambipar sofreram vertiginosa desvalorização. Hoje, valem menos de R$ 15 milhões, o que acabou por causar um rombo na Rioprevidência. A transação é uma das razões de o ex-governador do Rio, Cláudio Castro (PL), ter se tornado alvo de uma das fases da Operação Carbono Oculto, em maio. O BRB também teve grande prejuízo com ações da Ambipar.
Na petição, a PGE-RJ sustenta que o Rioprevidência foi vítima de uma “armadilha arquitetada” pela administração e gestão do fundo Texas I FIA, que vendeu um fundo lastreado em uma ação desprovida de fundamento. O principal argumento do estado é que o fundo apresentava uma concentração extrema, com 96,12% de sua carteira exposta a um único ativo — as ações da Ambipar —, o que é considerado incompatível com os princípios de prudência e diversificação exigidos para recursos previdenciários.




