EUA: Justiça acusa atirador em jantar de correspondentes de tentativa de assassinato de Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez piadas com jornalistas durante o jantar anual da Associação de Correspondentes da Casa Branca, realizado nesta sexta-feira (24), em Washington. Em seu discurso, ele ironizou a cobertura da imprensa sobre seu governo e brincou com o atentado que interrompeu a edição anterior do evento.
"Às vezes, eu acho que alguns de vocês não gostam de mim", disse o presidente. Em seguida, afirmou ter lido um relatório segundo o qual recebe "93% de cobertura negativa" da imprensa.
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"Como diabos eu consegui vencer a eleição com tanta folga?", questionou. "Não acredito que seja 93%. Talvez na casa dos 80%, mas 90% já é demais."
O presidente ainda fez referência ao ataque a tiros que interrompeu o jantar realizado em abril. Segundo ele, os jornalistas "tiveram sorte" de a cerimônia ter sido interrompida antes de seu discurso.
"Eu tinha preparado algo para provocar vocês. Ia pegar pesado", disse. "Agora fico até triste por não poder fazer aquilo. Deve ter sido uma grande decepção."
O jantar, que acontece anualmente há mais de 100 anos, costuma ter discursos do presidente, homenagens a profissionais da imprensa, entrega de bolsas de estudo para estudantes de jornalismo e, tradicionalmente, momentos de humor e provocações entre o chefe da Casa Branca e os jornalistas.
🔍Criado em 1914 pela Associação de Correspondentes da Casa Branca, o jantar anual reúne o presidente dos Estados Unidos, jornalistas que cobrem a Presidência, autoridades, empresários e convidados. O primeiro presidente a participar do evento foi Calvin Coolidge, em 1924, iniciando uma tradição mantida por quase todos os ocupantes da Casa Branca desde então.
Após o ataque
Convidados se abaixam após barulho de tiros em jantar de correspondentes da Casa Branca, em abril de 2026.
REUTERS/Evan Vucci
O evento anual acontece sob forte esquema de segurança, após ter sido interrompido por um ataque a tiros na edição anterior, em abril.
➡️ Na ocasião, um homem armado tentou entrar no salão onde ocorria o jantar, evento anual tradicional em que o presidente dos Estados Unidos se reúne com jornalistas estrangeiros que cobrem a Casa Branca. O homem trocou tiros com agentes do Serviço Secreto, que o interceptaram na entrada. Trump foi retirado às pressas, e os jornalistas tiveram de se esconder sob as mesas (veja no vídeo acima).
O Serviço Secreto reforçou a proteção no entorno do hotel, isolou ruas da região e montou um amplo perímetro de segurança para evitar novos incidentes.
Por conta dos tiros, o jantar foi adiado e remarcado para esta sexta. Desta vez, no entanto, o evento ocorrerá com novas e reforçadas medidas de segurança — em abril, jornalistas relataram falhas de segurança. Um dos vídeos capturados por câmaras do hotel mostrou que o atirador conseguiu furar o bloqueio de agentes do Serviço Secreto.
O evento deste ano também acontece em um novo endereço. A cerimônia foi transferida do Washington Hilton para o Waldorf Astoria. Segundo os organizadores, o hotel é menor e permite um controle mais rigoroso da entrada dos convidados.
👉 O atirador, identificado como Cole Allen, um californiano de 31 anos, declarou-se inocente das acusações do Ministério Público contra ela, incluindo a tentativa de assassinato do presidente.
Fachada do hotel que recebe o jantar entre Donald Trump e os jornalistas correspondentes internacionais que cobrem a Casa Branca
Kent Nishimura / AFP
Discurso de Trump
No evento desta noite, Trump deverá proferir o discurso que não pôde fazer em abril — no evento, é também tradição que o presidente fale aos jornalistas. Embora se esperasse que Trump fizesse um discurso contundente contra a imprensa no evento original, resta saber qual será o tom adotado no jantar remarcado.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse a repórteres na quinta-feira que Trump "celebrará a liberdade de expressão e a Primeira Emenda [da Constituição] com todos vocês, membros da mídia".
"O presidente está ansioso para terminar o que começou antes que uma tentativa de assassinato desprezível interrompesse o evento original", acrescentou Leavitt, que também estará presente.
Leavitt afirmou ainda que o discurso do presidente será uma combinação de "algo unificador e, ao mesmo tempo, implacável; sério e, ao mesmo tempo, muito engraçado".
"Se é que vocês conseguem imaginar isso. Uma coisa posso garantir: será um discurso muito divertido", afirmou a porta-voz.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, batendo continência no início do jantar promido pela Casa Branca aos jornalistas correspondentes internacionais.
Mandel Ngan / AFP
As batalhas de Trump contra a imprensa
Trump processou diversos veículos de comunicação, classificou reportagens desfavoráveis como "fake news" e frequentemente criticou e ridicularizou jornalistas.
Seu governo retirou a agência de notícias Associated Press do grupo de jornalistas com acesso privilegiado à Casa Branca e restringiu o acesso de muitos profissionais ao Pentágono, entre outras medidas.
A Casa Branca defendeu essas ações, afirmando que elas visam proteger informações sensíveis, reforçar a segurança e aumentar a responsabilização do que considera organizações de mídia tendenciosas.
Falando a jornalistas mais cedo nesta sexta, Trump defendeu intimações federais contra jornalistas do "New York Times" — posteriormente retiradas — afirmando que a segurança nacional estava em jogo. Os repórteres haviam publicado informações sobre a segurança do novo avião presidencial Air Force One, doado pelo Catar.
"Não estamos atrás dos jornalistas. Estamos atrás dos vazadores de informações. Estamos atrás de pessoas covardes, antipatrióticas e, em muitos casos, traidoras. E a maneira de encontrá-las é por meio dos jornalistas", declarou Trump no Salão Oval.
Mesmo intensificando suas ações contra a imprensa, Trump tem dado aos repórteres mais acesso direto do que presidentes recentes, respondendo perguntas durante aparições públicas sem roteiro definido e conversando regularmente com jornalistas por telefone.
Centenas de jornalistas veteranos, juntamente com oito organizações profissionais de jornalismo, assinaram uma carta pedindo que a Associação de Correspondentes da Casa Branca aproveite o jantar para condenar o que classificaram como ataques de Trump à Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos – que protege a liberdade de expressão e de imprensa.
Com informações da AFP e da Reuters
Jantar dos Correspondentes nos EUA: entenda a importância do evento de Trump com imprensa





